O bom cervejeiro que o reconheça: as palavras podem ser as nossas melhores amigas ou piores inimigas. Numa mesa de bar, você se gaba por ser o mais articulado e teima em debater o Fla-Flu político (ou a final daquele campeonato de 1979) como ninguém. Você sabe o que diz – ou melhor: você sabe como dizer.

No reino das palavras, reza a lenda que não há nada igual à língua alemã. Ouso dizer que existe uma palavra para tudo, tudo mesmo o que se possa exprimir neste mundo. Você ligou para todos os seus amigos e marcou um happy hour naquela sexta-feira perfeita? Vorfreude! Isto é, “uma alegria antes de um evento positivo”. Ficou triste porque ninguém resolveu aparecer e você acabou comendo um balde de frango a passarinho sozinho? Kummerspeck! Ou, “o ato de comer muitas coisas gordurosas pelo fato de estar triste”. Decidiu, então, ligar para aquela(e) amiga(o) que você paquerava há tempos e, por conta da comida toda, acabou falando besteira e estragando tudo? Verschlimmbessern! Pois é, “tentou melhorar uma situação mas acabou só a piorando” – o famoso deu ruim.

No campo da cerveja (e fora dele, convenhamos) os alemães também dominam. Os germânicos possuem uma palavra para designar especificamente o que é e o que não é uma cerveja. A famosa Reinheitsgebot – ou “lei da pureza” – já dizia, há 500 anos: água, lúpulo e malte de cevada. Mas se você acha que são apenas palavras estranhas, impronunciáveis, que este povo cervejeiro produz, saiba que você pode ser mais um que literalmente “bebe diretamente da fonte”: uma palavra que não sai da boca do povo é a palavra alemã Schopp, mais conhecida em solo nacional como chope, cuja designação original é a exata medida de 330 ml, mais tarde associada à cerveja servida a partir de barris sob pressão.

Não à toa, quando você acaba chamando todo mundo para o seu bar favorito, ninguém aparece e você fica sozinho, sem namorada/o e com um balde de comida gordurosa nas mãos, diz-se na Alemanha que o “lúpulo e o malte foram perdidos” (Hopfen und Malz ist verloren), isto é: é melhor cair fora porque não tem mais solução.

Com informações de: Deutsche Welle, O Alemão e Portal G1.