O que veio primeiro: a sede de beber cerveja ou a vontade de fazer um exercício?

A cerveja está presente nos mais diversos momentos de realização e frustração de uma vida social e esportiva. Associada à alegria da vitória ou à amargura da derrota, a correlação entre exercício e álcool sempre foi um objeto de interesse na pesquisa científica. Em um artigo publicado na seção de ciência & bem-estar do prestigiado jornal norte-americano, o The New York Times propôs a seguinte questão: seria a bebida responsável pela vontade de se fazer exercício ou o exercício responsável pela vontade de tomar uma geladinha pós-expediente?

Ao contrário do que o senso comum costuma afirmar, um estudo publicado em 2001 por dois autores do Instituto Nacional Sobre Abuso do Álcool e Alcoolismo e o Instituto Nacional de Ciência de Maryland (Estados Unidos) relata que pessoas que bebem moderadamente, isto é, um drinque equivalente a 350 ml de cerveja por dia, tendem a se exercitar o dobro em relação aos abstêmios.

Outro estudo mais recente, publicado em 2014 pela Universidade Estadual da Pensilvânia (Estados Unidos), foi além e coletou uma série de dados de mais de 150 homens e mulheres adultos, com idades de 19-89 anos. A pesquisa examinou os hábitos esportivos, alimentares e de ingestão de álcool durante três períodos de 21 dias consecutivos ao longo de um ano. Para não contar com a “memória” e à imprecisão das datas, todos os envolvidos utilizaram um aplicativo por celular que lhes permitia registrar os dados diariamente e enviá-los diretamente aos pesquisadores. A conclusão parece caminhar na mesma direção que o estudo anterior: pessoas tendem a beber mais nos dias em que realizam exercício.

Segundo J. Leigh Leasure, professora Dra. da Universidade de Houston (Texas, EUA) para o The New York Times, “muitas pessoas, por exemplo, exercitam-se em grande parte para queimar as calorias associadas à bebida, o que significa, para elas, que beber as leva a praticar exercícios”.

Outro fator importante mencionado pela doutora é a relação entre o consumo de álcool e a vida do social do exercitado. “A camaradagem gerada no local de exercício ou entre os parceiros de treino pode levar os esportistas alegremente ao bar local, onde tais encontros podem motivar os mais relutantes à prática de exercício se manterem fiéis à rotina esportiva, porque se sentem recompensados no final”.

Em contrapartida, todos os estudos mencionados acima relacionam o abuso de álcool à indisposição física e queda na predisposição às atividades físicas. Para manter o tanquinho em dia, não vale a pena encher o tanque: beba com moderação.

Com informações de: National Center for Biotechnology Information e The New York Times