Talvez você não tenha percebido, mas uma mudança muito pequena e gradativa está ocorrendo no seu corpo neste exato momento, enquanto você lê este texto. É uma mudança que envolve você como um todo, transformando-o a cada dia num ser diferente. O grande responsável por esta mudança? Um gole de cerveja.

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv lançaram um estudo sobre como cada tipo de bebida, entre elas o café e a cerveja, não só alteram o comportamento do ser humano em suas relações sociais, mas como também são responsáveis por mudanças gradativas – e permanentes – no DNA do Homem. Em linhas gerais, para além do “estimulante” (café) e do “relaxante” (cerveja), estas bebidas irão reescrever certas partes do seu genoma, alterando o futuro das suas células. Para o bem e para o mal.

O estudo conduzido em 2013 pelo professor Martin Kupiec e sua equipe do Departamento de Microbiologia Molecular da Universidade de Tel Aviv identificou que as bebidas mencionadas alteram o comprimento dos telômeros. Para nós, leigos, os telômeros são basicamente a pontinha de DNA de nossos cromossomos, responsáveis por transmitirem toda a nossa carga genética adiante. Ainda mais, os telômeros são identificados como os responsáveis pelo nosso relógio biológico (duração da vida do ser humano) e surgimento de doenças, como o câncer. Neste sentido, o comprimento do telômero diz respeito ao quanto uma determinada célula ainda pode se duplicar, gerando novos cromossomos e novas células a partir de seu original. Quanto menor o telômero, “mais copiada” esta célula já foi. E quanto mais copiada, mais “velha” ela é. Eventualmente o telômero fica curto demais para se duplicar e essa célula morre.

Utilizando-se de fermento biológico como cobaias, os pesquisadores aplicaram 12 tipos de estressores sobre estes micro-organismos, fazendo constar que, dentre alguns outros estressores (como uma pequena infusão de cafeína e a variação de temperatura e pH), a cerveja foi identificada como um fator de aumento do telômero. Neste quesito, ponto positivo para a cevada e para a cafeína.

De acordo com o estudo, a grande maioria dos genes que sofreram alguma interferência, seja de encurtamento ou alongamento nos telômeros, estão presentes no corpo humano. Nas palavras de Martin Kupiec, “o que aprendemos aqui pode contribuir, um dia, para a prevenção e tratamento de doenças humanas.” Enquanto o laboratório estuda provar esta relação causal, o professor recomenda apenas uma coisa: “relaxar, beber um pouquinho de café e cerveja”.

Com informações de Science Daily e American Friends of Tel Aviv University