O mês de junho traz sempre uma boa dose de festas recheadas de muita tradição, comilança e, por que não, bebida boa. Hoje, além de explorarmos um pouco mais sobre a origem da Festa Junina, deixamos de quebra uma deliciosa receita de bolo de milho para você chegar estalando igual a uma fogueira de São João.

Se você parar para pensar, a miscelânea de rituais durante a Festa Junina pode não fazer muito sentido: uma fogueira, um casamento dançante e uma fartura de comida. Mas olhando mais para trás, as peças começam a se encaixar melhor, uma vez que as comemorações juninas brasileiras têm, por excelência, uma forte influência de diversas culturas, incluindo a Igreja Católica Romana, tradições indígenas e antigos cultos a divindades pré-cristãs.

Segundo a mitologia grega, a disputa entre as deusas Afrodite e Perséfone pelo literalmente deus grego Adônis resultou num embate tão violento, que somente Zeus, o pai dos deuses, pôde dar um fim a este entrave, sentenciando o belo jovem a uma vida dividida entre duas esposas. A cada três meses, ou seja, a duração de uma estação, ele viveria entre os mundos da luz e o mundo das sombras. Cultuado no dia 24 de junho, o retorno de Adônis à luz marcava um novo começo para o povo grego. Posteriormente, esta data foi assimilada pela Igreja Católica, substituindo Adônis por São João Batista.

De acordo com a liturgia católica, a fogueira junina foi um sinal de Santa Isabel (mãe de São João) à Maria (mãe de Jesus) para lhe contar sobre o nascimento de seu filho João Batista. Tradicionalmente no Brasil, os dias 13, 24 e 29 de junho são datas comemorativas em homenagem a Santo Antônio – o santo casamenteiro –, a São João Batista – aquele que batizou Jesus Cristo – e São Pedro – discípulo de Jesus, considerado o primeiro Papa. Por ser uma festa de origem europeia, trazida pelos colonizadores portugueses, o fim de junho também marca outra ocasião especial: o final da primavera e o início do verão no Hemisfério Norte. Por isso, em homenagem à boa colheita, a fatura alimentícia se estende com um cardápio português recheado de milho verde, amêndoas e castanhas que, somada ao cultivo indígena a base de milho tradicional, batata-doce e mandioca, estes fecham o menu da quadrilha.

Por falar em dança, o início do verão no Hemisfério Norte sempre foi um motivo de comemoração aos povos europeus: do medieval faux-bourdon francês ao galego forbodó, o suingue brasileiro tropicalizou o baile através da sanfona e do bumbo e trouxe o forrobodó ao mundo, hoje com um apelido mais simpático, conhecido como “forró”.

Seja no Olimpo ou em Campina Grande, as grandes festas juninas trazem um enorme rendimento à população local, fomentam o turismo nacional e o comércio tradicional. Só em 2016, o governo brasileiro investiu mais de 6 milhões de reais por todo o país e esta cifra, apesar da crise, tende a crescer. Numa festa que abarca a católicos e não católicos, solteiros e comprometidos, comilões e não tão comilões, ficar de fora desta festa é quase um desafio.

Por isso, vista sua melhor roupa de casamento, traga a sua cerveja e seja bem-vindo(a) ao arraiá.

Bolo de Milho com Cerveja

Ingredientes

  • 1 lata de milho verde
  • 1 lata de óleo (medida da lata de milho)
  • 1 lata de açúcar (medida da lata de milho)
  • 1 lata de fubá (medida da lata de milho)
  • 4 ovos
  • 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
  • 2 colheres (sopa) de coco ralado
  • 1 e 1/2 colher (chá) de fermento em pó
  • 200 ml de cerveja escura (IPA)

Modo de Preparo:

Num liquidificador, adicione o milho verde, o óleo, o açúcar, o fubá, os ovos e a farinha de trigo, depois bata até obter uma consistência cremosa.

Acrescente o coco ralado e o fermento, misture novamente.

Acrescente a cerveja e misture.

Despeje a massa em uma assadeira untada e leve para assar, em um forno médio a 180 °C, preaquecido por 40 minutos.

Fonte da receita: Tudo Gostoso (contém adaptações)\
Com informações de: Brasil Escola, Ministério do Turismo e Mundo Estranho