A cerveja existe há alguns milênios e, desde os primórdios dos tempos, ela é produzida e amada por diferentes povos. Em alguns casos, a reverência era tanta que havia divindades específicas que representavam a bebida.

Essas deusas da cerveja tinham a função tanto de proteger os produtores quanto garantir que a safra fosse de alta qualidade. Vale lembrar que, em muitos casos, a bebida era oferecida como recompensa de trabalho para a população, já que era nutritiva e saborosa.

A seguir, citamos as principais deusas associadas à cerveja e explicamos sobre sua importância para cada civilização. Além disso, também trouxemos uma contextualização sobre a bebida durante a Idade Antiga. Leia até o fim para conferir!

A cerveja na Suméria

O berço da humanidade foi a Mesopotâmia, área entre os rios Tigres e Eufrates, e que atualmente se situa entre o Iraque e o Kuwait. Foi lá que nasceu a civilização suméria, um dos primeiros povos que se tem registros, e também os primeiros a produzirem cerveja.

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Representação de sumérios bebendo cerveja. Imagem: Reprodução/ancient-origins.net

Há indícios de mais de 6 mil anos atrás que mostram que a civilização já consumia bebidas fermentadas à base de cereais. A cerveja (que era chamada de sikaru, dida ou ebir) tinha uma consistência mais grossa e era utilizada na alimentação quase diariamente, por ser um alimento nutritivo.

Ninkasi, a deusa suméria da cerveja

As encarregadas da produção de comida e cerveja na Mesopotâmia eram as mulheres. E dada a importância do gênero feminino, não demorou para que os sumérios passassem a adorar uma mulher como divindade protetora da bebida.

Ninkasi, a deusa da cerveja, tinha como papel proteger a produção da cerveja, que era tão nutritiva para o seu povo. Para invocá-la, era entoada uma canção chamada Um Hino a Ninkasi, que dizia:

“Ninkasi, você é aquela que encharca o malte em um jarro,

as ondas sobem, as ondas descem

[…]

Quando você despeja a cerveja filtrada do tanque coletor,

É [como] o avanço do Rio Tigre e do Rio Eufrates”

Nesse poema, também é possível observar alguns detalhes de como era feita a cerveja à época, que incluía grãos, mel e tâmaras, e era fermentada em jarros e servida juntamente com frutas.

A cerveja no Egito Antigo

Uma das primeiras civilizações que dominou a arte da produção de cerveja foi o Egito Antigo. Para se ter uma ideia, foram encontrados vestígios arqueológicos da bebida que datam de por volta de 3.100 a.C., durante a dinastia do Faraó Narmer.

Hoje em dia, também temos o registro do trabalho de uma antiga cervejaria egípcia por meio de pequenas figuras esculpidas em miniatura e encontradas na tumba de Meketre – o Primeiro Ministro do faraó Mentuhotep II que governou de 2.050 a 2.000 a.C. 

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Maquete do século 20 a.C. que ilustra produtores de cerveja no Egito Antigo. Imagem: Reprodução/Rogers Fund and Edward S. Harkness Gift, 1920.

De acordo com a lenda egípcia, o deus Osíris, que representava a agricultura, deu como presente ao povo o dom de cultivar e produzir alimentos. Junto com essa habilidade, veio a capacidade de produzir cerveja.

A cerveja mais popular no Egito era a Heqet (ou Hecht), uma fermentação de cereais com mel, e os trabalhadores do planalto de Gizé recebiam três porções da bebida por dia. Naquele tempo, a cerveja tratava-se de líquido grosso, com consistência de mingau. 

A bebida era aproveitada com tanta frequência pelos antigos egípcios que a Rainha Cleópatra VII, governante de 69 a 30 a.C, perdeu popularidade no final do seu reinado por justamente aumentar os impostos sobre a bebida pela primeira vez na história de seu povo, repetindo o feito mais tarde para pagar o custeio de uma guerra com Roma.

Tenenit, a deusa egípcia da cerveja

A divindade dedicada a proteger os produtores dos insumos e da bebida era Tjenenyet, também conhecida como Tenenit. Seu nome era derivado de “tenemu”, uma das palavras do antigo egípcio para “cerveja”.

Tenenit era diretamente ligada a Meskhenet, deusa do parto e protetora das casas de parto. Por isso, muitas vezes era invocada por seus devotos para proteger as mulheres grávidas e o nascimento dos filhos.

Seu templo ficava localizado em Hermontis, à margem esquerda do Rio Nilo. Lá, também era adorado o deus da guerra Montu. 

Outra divindade associada à cerveja era Nephthys, deusa da morte, protetora das almas e também da água. Como para a produção de cervejas era necessária uma boa quantidade do líquido, alguns produtores pediam a ela que abençoasse sua produção.

Seja Ninkasi, Tenenit ou até mesmo Nephthys, ambas as deusas da cerveja foram importantíssimas para a manutenção da cultura dessa bebida que tanto amamos. Se não fossem os cultos a essas divindades, é possível que a produção e a apreciação tivesse tomado outros rumos. 


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