Um dia após o outro, o mundo gira e traz consigo as mudanças de um tempo que está por vir. No caso delas, esse tempo é o dia de hoje: cada vez mais, mais mulheres ocupam o lugar de destaque tanto no consumo quanto na produção de cerveja – lugares este “tradicionalmente” ocupados por homens.

Embora a História demonstre que a presença de mulheres sempre foi um elemento importantíssimo, senão primordial, para a confecção da bebida, elas acabaram perdendo este lugar de destaque em meados do século 18 e 19 no Ocidente, quando o trabalho fora de casa passou a ser associado a uma tarefa quase que exclusivamente masculina.

Retrato de um mercado em constante expansão e escala progressiva a partir dos anos 2000, as cervejarias artesanais – outrora símbolo de um antro viril e dominantemente masculino – estão finalmente aprendendo que o lugar da mulher é onde ela quiser. Seja em trabalhos manuais na confecção da cerveja, como a brassagem, ou em postos empresariais de marketing e distribuição, mulheres empreendedoras observaram que o mercado feminino é um mercado com alto potencial e ainda muito pouco explorado.

Segundo a sommelière e mestre cervejeira Kathia Zanatta, em entrevista para o portal G1, uma coisa puxa a outra e é justamente o acesso cada vez maior da mulher a estes postos “tradicionalmente” masculinos que irá atrair mais mulheres ao mundo cervejeiro: “o ambiente produtivo ainda inibe, ou por falta de conhecimento, ou pela falta de background de formação técnica. Mas não existe profissão só de homem ou só de mulher”, diz ela.

Como toda mudança, elas ainda enfrentam resistências ao longo do caminho, que variam de comentários machistas no ambiente de trabalho à crença de que “cerveja não é bebida de mulher”. De acordo com Bárbara Fonseca, das cervejarias Catimba e Trilha em entrevista para a publicação Hypeness, tal situação se mostrou evidente ao entrar no mundo cervejeiro: “quando comecei a fazer cerveja era testada a cada minuto. Sempre tinha um homem me fazendo perguntas óbvias para tentar provar que eu não sabia o que estava fazendo”.

Embora haja percalços no caminho, elas ainda assim vêm com esperança e otimismo o caminho que trilham. Entre confrarias femininas e grupos destinados à ajuda entre pequenas produtoras, a aposta é de um futuro mais saudável, no qual a objetificação e exclusão profissional femininas não façam mais parte do menu cervejeiro brasileiro do século 21.