Que as mulheres são extremamente habilidosas, isso todos sabem! Seja na arte, na produção de conteúdo, no empreendedorismo e nas posições de trabalho, elas se destacam todos os dias e inspiram milhões de pessoas com sua competência e inovação. 

O mesmo vale para as mulheres cervejeiras. Não é de hoje que elas contribuem para engrandecer a bebida incrementando os processos de produção e imprimindo sua identidade por meio de novos sabores e aromas.

Quer entender melhor a importância das mulheres para a cerveja? Por meio da história de grandes cervejeiras e de dados do mercado, vamos explicar como elas já participaram e ainda colaboram com a história dessa bebida amada por todos. Vamos conferir?

Mulheres cervejeiras: um mercado em ascensão

Como muitas outras indústrias, o mercado cervejeiro esteve, durante muito tempo, restrito à atuação masculina. Isso era muito evidente especialmente na publicidade, que era voltada para homens e, muitas vezes, de maneira inadequada e pejorativa com relação às mulheres.

Porém, inevitavelmente, esse cenário tem mudado. Desde que as cervejas artesanais tiveram sua ascensão, tanto o consumo quanto a produção da bebida tem atraído mulheres de todo mundo. Como prova disso, no Brasil, podemos observar que as próprias fabricantes têm mudado sua visão, além de temos projetos de Lei que dispões sobre o uso inadequado do gênero feminino em campanhas publicitárias sobre a bebida

De acordo com pesquisa do Cervesia, empresa de serviços e consultoria especializada em cerveja, o consumo de bebidas cresceu por volta de 17% entre as mulheres durante o ano de 2020. 

Já a Society of Independent Brewers (Siba), da Inglaterra, constatou que, de 2019 para 2020, houve um aumento de 6% para 11% o número de mulheres que bebem cerveja mais de uma vez na semana.

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A participação das mulheres tem crescido com relação ao consumo e à produção de cerveja.

Como consequência dessa procura, muitas delas assumiram tamanha paixão ao ponto de dedicarem-se à produção da bebida. Segundo o Sebrae, 11% das cervejarias independentes já são comandadas por mulheres, número que tende a crescer nos próximos anos. 

Além disso, a mulherada tem aparecido cada vez mais atuando à frente de bares e em cargos relacionados à produção de cerveja (como mestre-cervejeiras, químicas, engenheiras de alimentos, sommeliers e mão de obra na fabricação), estudantes de cursos sobre a bebida, ou simplesmente, grandes entusiastas.

Portanto, se você é mulher, sonha em se tornar uma especialista na bebida e está lendo esse artigo, saiba que o cenário não poderia ser melhor!

Mulheres cervejeiras: conheça grandes personalidades

Por mais que o mercado ainda tenha esse estigma masculino, a relação entre as mulheres e a cerveja existe desde os seus primórdios, e pode ser contada por meio de grandes personagens femininas até os dias atuais. 

Confira, a seguir, grandes mulheres cervejeiras que protagonizaram a história da cerveja!

As deusas da cerveja

Para se ter ideia da importância da mulher para a cerveja ainda antes da Era Comum, havia divindades que representavam a bebida e protegiam seus produtores em diversas civilizações milenares, como a egípcia, a suméria e a nórdica.

É o caso de Tjenenyet, também conhecida como Tenenit, que representava a cerveja no Egito Antigo. Ela era responsável por assegurar que a produção da bebida, bem como o cultivo de seus insumos, sempre mantivesse uma alta qualidade. 

Nessa civilização, a cerveja (chamada de “tenemu”) era considerada uma bebida nutritiva e era oferecida como recompensa pelo trabalho. 

Já para os sumérios, a deusa que representava a bebida era Ninkasi. A ela era entoada uma canção chamada Um Hino a Ninkasi, que nada mais era que uma receita de cerveja, que ao mesmo tempo, invocava a divindade para que protegesse esse produto. Algumas frases dizem o seguinte:

“Ninkasi, você é aquela que encharca o malte em um jarro,

as ondas sobem, as ondas descem

[…]

Quando você despeja a cerveja filtrada do tanque coletor,

É [como] o avanço do Rio Tigre e do Rio Eufrates”

Historicamente, o papel dessas divindades foi essencial para a preservação da cerveja durante a Idade Antiga e para que, ainda hoje, ela fizesse parte das nossas vidas.

Hildegard de Bingen

Nascida em 1098, havia poucas coisas que Hildegard de Bingen não sabia fazer. Além de sua vocação maior como monja beneditina, ela era teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica informal, poetisa, dramaturga e escritora.

Além de tudo isso, também é considerada a “mãe do lúpulo” por ter sido a primeira a acrescentar esse ingrediente à cerveja. A ideia surgiu pois Hildegard provou o sabor amargo da planta, e segundo suas pesquisas, notou que isso poderia contribuir para aumentar a conservação do líquido. A clériga registrou suas descobertas em sua obra literária. 

A monja Hildegard de Bingen recebendo a inspiração divina, retratada por si mesma.

Graças a essa contribuição, nos séculos que se seguiram, o lúpulo virou um ingrediente essencial para a produção de cervejas, bem como para o nascimento de estilos como Ale e Lager. Hoje, para qualquer cervejeira ou cervejeiro, é impossível imaginar a produção da bebida sem esse insumo.

Teri Fahrendorf

Se aproximando da atualidade, existem muitas mulheres inspiradoras que continuam fazendo a diferença no ramo cervejeiro. Um exemplo disso é a americana Teri Fahrendorf, fundadora do Pink Boots Society.

Teri levava a vida como programadora atrás de um computador, porém o destino de tornar-se uma cervejeira falou mais forte. Ela ingressou nos estudos, e no ano de 1985, tornou-se a primeira mulher mestre-cervejeira artesanal de seu país. 

Em 2007, após litros de cerveja produzidos, largou seu emprego como cervejeira-chefe da Steelhead, em Oregon, para tentar algo diferente: fazer uma road trip pelos Estados Unidos e conhecer a história de outras que carregavam sua mesma paixão.

Nessa jornada, ela visitou 70 cervejarias e participou da elaboração de 38 rótulos diferentes. Isso a inspirou a criar, no ano seguinte, a ONG Pink Boots Society, destinada a empoderar outras cervejeiras, seja dando cursos e palestras ou captando recursos para que essas mulheres pudessem realizar seus sonhos de viver como produtoras de cerveja.

Amanda Reitenbach

Não é só lá fora que elas estão mudando o panorama da cerveja. Aqui no Brasil, aumenta a cada dia o número de mulheres envolvidas em toda a cadeia da bebida, desde a produção até a mesa de quem consome. 

Uma das responsáveis por esse movimento recente é Amanda Reitenbach. Graduada em Engenharia Química e Alimentos e doutora pela instituição VLB Berlin, na Alemanha, vem se dedicando a estudar a ciência da cerveja, e a partir disso, repassar seus conhecimentos a outros entusiastas que queiram adentrar no ramo.

Com isso, criou o Science of Beer Institute, que oferece cursos sobre processos cervejeiros, lúpulo, malte e até para quem quer se tornar sommelier. Muitas dessas aulas estão disponíveis em espanhol, português e alemão. Dessa forma, é possível aumentar o padrão dos profissionais do ramo e, consequentemente, elevar o nível da produção cervejeira brasileira.

Essas são apenas algumas das mulheres cervejeiras que marcaram história e continuam inspirando diversas pessoas, inclusive outras mulheres, a elevarem a qualidade dessa bebida que é uma grande paixão para todos nós.

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