Caranguejada na cerveja

Quando Hércules, um semideus da mitologia greco-romana e filho de Zeus, perdeu a razão após uma tragédia familiar, ele foi ao Oráculo de Delfos pedir ajuda. O oráculo pediu-lhe que ele se entregasse à servidão de Euristeu, o rei da cidade de Micenas. O rei então incumbiu a Hércules a realização de doze tarefas especiais, conhecidas como “Os Doze Trabalhos de Hércules”.

Na segunda tarefa, seu objetivo era matar o monstro Hidra, um animal com corpo de dragão e nove cabeças de serpente que habitava o pântano de Lerna, na região de Argos. Letal que era, a Hidra possuía um sangue e um hálito venenosos que podiam matar qualquer um que ousasse sequer chegar perto de sua presença. Para além disso, a cada cabeça cortada nascia outra no lugar, sendo que a principal delas, a cabeça central era imortal.

Numa batalha feroz e com a ajuda de seu sonho Iolau, Hércules tenta de tudo para matar Hidra, mas seus esforços pareciam ser inúteis frente às cabeças que se regeneravam durante a luta. Para complicar ainda mais a situação, a deusa Hera, que apostava contra a vida herói Hércules desde o seu nascimento, decide ajudar Hidra e envia ao local um caranguejo gigante para atrapalhá-lo.

Com muita garra e astúcia, Hércules que estava preso por um dos calcanhares pelas garras do gigantesco animal, aproveita a outra perna livre e – com a força sobrenatural que possuía – decide pisar sobre a carapaça do crustáceo que se se rompe, matando o caranguejo.

Numa investida final contra a monstra de Hidra, Hércules consegue decepar as cabeças que faltavam e, graças aos conselhos da deusa Minerva, utiliza o próprio sangue venenoso de Hidra para dar fim ao inimigo que antes era imortal.

Do grego antigo “karkínos”, que por sua vez deu origem ao diminutivo em latim “cancriculus”, as palavras “câncer” e “caranguejo” em português compartilham a mesma origem – e mito. Segundo o portal Medium: “o Mito da Hidra de Lerna é associado ao signo de Câncer não só pelo nascimento da constelação, mas também porque a Hidra representa nossas emoções indomáveis, cada vez que atacamos uma emoção e a reprimimos, outras nascem em seu lugar. Representa as distrações que acabam por nos atacar em nossas bases e nos tirar o foco de nosso objetivo. Representa a família que se põem em perigo para nos auxiliar”.

Caranguejada na Cerveja

Ingredientes

  • 3 dúzias de caranguejo limpos (sem carapaça)
  • 200 g de alho picado
  • 8 cebolas grandes cortadas em rodelas
  • 8 tomates bem maduros cortados em rodelas
  • 8 pimentões verdes e vermelhos cortados em rodelas
  • 1 maço de salsinha (cheiro verde) picado
  • 1 maço de alho poro picado
  • 1 xícara de coentro picado
  • 2 cubos de caldo de peixe
  • 500 ml de azeite
  • 1 colher de azeite de dendê
  • 10 pimentas dedo de moça
  • 1 lata de molho de tomate refogado
  • 4 latas de cerveja clara
  • Sal a gosto

Modo de Preparo

  1. Em uma panela bem grande, ferva os caranguejos com água até eles começarem a avermelhar, jogue a água fora e reserve os caranguejos. Não os cozinhe muito, o cozimento final fica por conta do molho.
  2. Monte a panela para o cozimento final, com os caranguejos pré-cozidos, acomode-os em camadas junto com os demais ingredientes: coloque uma camada de caranguejo, uma de cebola, uma de pimentão, uma de tomate, salsinha, alho poró e coentro, intercalando as camadas até encher a panela. Tape a panela e aguarde o molho.
  3. Em outra panela, reservada para o molho, refogue o alho, azeite, azeite de dendê, caldo de peixe, acrescente o molho de tomate, pimenta e 2 litros de água e sal a gosto. Deixe ferver por 20 minutos.
  4. Coloque o molho na panela com os caranguejos no fogo e acrescente o molho ainda quente.
  5. Coloque duas latas de cerveja e depois de 15 min mais 2 latas. Deixe cozinhando em fogo brando por mais 40 minutos, até ficar consistente, verificando-o de 10 em 10 minutos.
  6. Não deixe o molho engrossar muito. Aproveite para fazer um caldinho ou pirão com o resto do molho.

Passado, presente e futuro da cerveja

Apesar de parecer algo linear e em progresso constante, os rumos da História se apresentam muitas vezes em ciclos. Se, no berço da civilização humana, lá pelos lados da Mesopotâmia, o Homem passou a cultivar os cereais que dariam forma à cerveja atual – que, inclusive, era utilizada como forma de pagamento aos trabalhadores da época, no famoso Código de Hamurabi –, estas mesmas civilizações se encontram, hoje em dia, numa luta moral contra o consumo desta bebida.

Para se ter uma ideia, há uma dezena de países onde a produção, venda e consumo de álcool são proibidos. Afeganistão, Bangladesh, Brunei, Líbia, Arábia Saudita, Iêmen... na grande maioria deles, trata-se de países cuja religião islâmica também rege a esfera política e individual.

(Ao contrário da maioria dos brasileiros que sai correndo para o happy hour na sexta-feira pós-expediente), o iraniano – por exemplo – corre o risco de receber 80 chicotadas, caso seja pego bebendo ou esteja sob suspeita de ter bebido. É chocante, mas até aí - você diria - trata-se de uma terra muito distante, cujo imaginário popular se limita a camelos, desertos e mulheres mascaradas. No entanto, o mundo ocidental é igualmente cheio de restrições em relação ao álcool e já passou por histórias (quase) semelhantes durante boa parte do século 20 e até mesmo hoje em dia, em pleno século 21.

O estado de Mississipi, por exemplo, é por lei um “estado-seco”, onde a jurisdição local deve abrir um processo para permitir a venda e o consumo de álcool. Em outros lugares considerados mais progressistas, como o estado da Flórida, são cerca de quatro cidades (“condados”) com a mesma proibição.

Pensou em visitar a Argentina e o Chile nas próximas férias? Fique atento(a) e não dê uma de turista desavisado(a). Beber em público por lá é ilegal, podendo arcar com uma multa pesada. Em Belfast – capital da Irlanda do Norte - por exemplo, quem for pego bebendo onde não deve poderá pagar até 500 libras esterlinas pela infração, ou seja, R$2.500 pelo “abuso” (na cotação atual). E você tomando a sua cerveja gelada na praia sem se preocupar com nada disso... já pensou se fosse o contrário?

Vale ressaltar que a livre política do consumo público traz também uma enorme responsabilidade ao consumidor. Se temos este direito, temos que ter também o dever de respeitar quem está a nossa volta. Direção sóbria, consumo consciente, lixo no lixo. São pequenos atos que lhe garantem aproveitar o programa, sem o risco de receber 80 chibatadas ao longo do caminho.


Tsunami de cerveja

A Grande Inundação de Cerveja na Londres de 1814*

Na segunda-feira do dia 17 de outubro de 1814, um terrível desastre acachapou a vida de pelo menos 8 pessoas no distrito de St. Giles, em Londres. Um acidente industrial bizarro resultou num tsunami de cerveja nas redondezas da rua Tottenham Court Road.

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Do porto ao copo

Há mais de 300 anos, numa ilha muito distante do outro lado do Atlântico Norte, nascia uma cerveja escura que se tornaria um sucesso comercial mundial. Criada na Inglaterra durante um período recheado de intensas mudanças que ficou conhecido na História como a “Revolução Industrial”, havia uma classe de trabalhadores em particular que adotou a novidade negra como sua bebida favorita. Foram justamente estes homens e mulheres que trabalhavam nos portos que acabaram batizando a bebida: do inglês Porter, como é conhecida atualmente, o nome desta cerveja pode ser traduzido ao pé da letra como portuária.

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Um amor de praia

Amada por uns, odiada por outros, uma coisa é sabida: a lula é muito popular em todo território brasileiro. Só no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Camarões (ABCCAM), são cultivados mais de 13 bilhões de moluscos anualmente para o consumo.

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UMA NOTÍCIA “BRILHANTE”

Nós separamos as sete sementes de romã durante a ceia, comemos sete uvas à meia-noite e pulamos as sete ondas após os fogos, tudo isso para desejar um próspero e completo ano novo. E, embora este não tenha sido exatamente um dos pedidos que a maioria de nós fez durante a virada, pode ser que um sonho tenha finalmente se tornado realidade para nós, reles mortais: o ato de beber cerveja e não ficar de ressaca.

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VAI UMA KELLERBIER AÍ?

O mundo das cervejas lager é extenso e variado. Hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre a Kellerbier, um subtipo pouco conhecido, mas muito apreciado no mundo cervejeiro.

Oriunda da Alemanha, mais precisamente na região da Francônia, a Kellerbier é um tipo de bebida não filtrada e não pasteurizada – o que remonta processos de confecção alcoólica da Idade Média. O sabor amargo do lúpulo contrasta com o fermento presente e o gás natural deste tipo de cerveja.

Em geral, as Kellerbiers são produções artesanais e servidas localmente. Para o consumo imediato, elas são armazenadas em toneis de madeira que mantêm as propriedades originais da bebida e garantem o frescor do produto ao consumidor final. No caso das engarrafadas, os mesmos toneis são também utilizados para amadurecer a cerveja – se esta for a proposta do produtor local.

Sua aparência opaca é fruto desta ausência de filtragem e da baixa carbonatação, e o seu nome advém justamente da origem de sua produção: Keller, que em alemão significa “adega” (ou cave), onde Kellerbier é a “cerveja de adega”.

Segundo a tradição alemã, deve-se servir uma boa Kellerbier em uma caneca escura de cerâmica – isto porque, antigamente, era de interesse do produtor esconder o aspecto turvo da bebida. Hoje, beber uma boa Keller num Krug (como é chamado este tipo de caneca em alemão) é motivo de orgulho e satisfação.

Com informações de: Dr. Beer,  Cervejas do Mundo e German Beer Institute


CERVEJA: CRÈME DE LA CRÈME

Roupas chiques, vinho e champanhe para as ocasiões solenes; chinelo de dedo e cerveja gelada para um churrascão com os amigos, certo? Mas quem disse que cerveja também não pode ser coisa fina?

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