Cuscuz Marroquino Harmonizado com Ditriguis

O verão chegou e com ele ganha espaço no cardápio receitas leves, que possam ser apreciadas nos dias mais quentes. Um prato saboroso e versátil que conquistou os brasileiros – e que faz muito sucesso nesta época do ano – é o cuscuz marroquino.

No Marrocos, o cuscuz é preparado com um molho de sete vegetais e é tradicionalmente servido às sextas-feiras, depois da oração do meio-dia. Por aqui ele é feito com uma mistura de sêmola de cereais, em especial o trigo.

Simples e versátil

Em sua origem a sêmola era amassada à mão com um pouco de água. Esse processo acontecia até se transformar em pequenos grãos, que depois eram cozidos a vapor.

O cuscuz marroquino é um prato fácil de fazer, que pode ser servido com molho, grão de bico e pedaços de legumes. Sua versatilidade permite que ele seja tanto o prato principal como o acompanhamento para diversos tipos de carnes.

Cuscuz Marroquino

Ingredientes

  • 250 gramas de semolina
  • 2 copos de água fervendo
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 1 tablete de caldo de legumes
  • 2 colheres (sopa) de azeite de oliva
  • 6 colheres (sopa) de cebola picadinha
  • 2 dentes de alho picados
  • 100 gramas de amêndoas laminadas e torradas
  • 4 colheres (sopa) de uvas-passas
  • 4 colheres (sopa) de damascos picados
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • 2 colheres (sopa) de salsinha picada

Modo de Preparo

Em uma frigideira com azeite, frite a cebola, o alho, acrescente as amêndoas e salteie, em seguida adicione as uvas passas e o damasco. Em um refratário, dissolva o caldo de legumes em água fervente e adicione uma colher de manteiga, coloque todo a semolina nesta água, cubra e deixe descansar por cinco minutos para que absorva toda a água. Junte a mistura de amêndoas ao cuscuz e misture bem, acertando o sal e colocando pimenta a gosto. Salpique com salsinha picada.

Harmonização

A leveza do cuscuz marroquino harmoniza muito bem com a Ditriguis, cerveja de trigo diferenciada, que une zest de laranjas com um toque de pimenta-da-Jamaica. Como o prato tem diversos ingredientes suaves, a Ditriguis valoriza ainda mais a receita, proporcionando ao paladar sabores e aromas refrescantes.


Peru com Molho de Cerveja

O Natal é uma das épocas mais esperadas do ano, quando as pessoas se reúnem para confraternizar. E, em todas as comemorações, as receitas típicas da época fazem sucesso. Uma delas é o peru, prato tradicionalmente natalino.

O hábito de comer peru no Natal surgiu em Massachusetts, nos Estados Unidos, no ano de 1621, quando a ave foi servida no Dia de Ação de Graças. Por ser mais barato e engordar facilmente, o peru foi levado pelos espanhóis para a Europa no século 16. Assim, se tornou símbolo das grandes ocasiões.

Tradição brasileira

No Brasil, o peru é apreciado desde a época colonial. Pode ser consumido tanto no Natal quanto no Ano Novo. Considerado símbolo de fartura, é um prato para ser compartilhado.

Peru com Molho de Cerveja

Ingredientes

  • 1 Peru (aprox. 4kg).
  • 1 Lata de cerveja
  • 2 Tabletes de Caldo de Galinha
  • 4 Dentes de alho
  • 1 Cebola média picada
  • 3 Batatas grandes fritas
  • 100g de Bacon em tiras
  • Sal e pimenta à gosto
  • Temperos à gosto
  • 1 Laranja
  • Folhas de alface e alecrim para decorar

Modo de Preparo

Bata no liquidificador a cerveja, o caldo de galinha esfarelado, o alho, a cebola, o sal, a pimenta e os temperos, e reserve. Jogue em cima do peru e deixe marinar por seis horas. Para deixar o peru mais suculento, antes de assar, coloque uma maçã inteira (sem o talo) dentro e asse junto.

Em uma assadeira, coloque o peru, despeje o líquido do liquidificador e cubra com papel alumínio. Leve ao forno por aproximadamente duas horas. Retire o papel alumínio, coloque as tiras de bacon por cima do peito e deixe dourar. Frite as batatas.

Depois de pronto, forre um refratário com folhas de alface, coloque o peru em cima, e coloque as batatas já fritas em volta, decore com as laranjas cortadas em rodelas em volta do peru. Coloque os galhos de alecrim em cima. E sirva com o molho.

Harmonização

O sabor suave, porém marcante, do peru faz excelente harmonização com a Weltenburger Barock Dunkel, uma das cervejas escuras mais antigas do mundo. Delicadamente amarga e cremosa, a Barock Dunkel harmoniza por contraste com este prato tradicional de Natal.

O Peru com Molho de Cerveja é uma receita leve, porém suculenta, por isso a harmonização com uma cerveja encorpada como a Weltenburger Barock Dunkel é uma experiência inesquecível.


Bom de Fazer: Picanha Invertida

A picanha é um tipo de corte de carne bovina tipicamente brasileiro. A origem do nome vem do italiano, de uma espécie de vara chamada picatta. Esta vara, que em espanhol é conhecida como picana, possui um ferrão na ponta e servia para picar o gado na parte posterior da sua região lombar. Com o passar do tempo esta região do animal passou a ser denominada de picana e, no Brasil, o corte ganhou o nome de picanha.

No Espeto, grelhada ou assada

A picanha pode ser feita no espeto, quando é servida em bifes cortados. Ela também pode ser grelhada ou assada, de modo que fique crocante e dourada. É um dos cortes mais populares no país e muito apreciado pelos brasileiros, podendo ser servido em churrascos ou outras receitas.

Picanha Invertida com Cerveja

Ingredientes

  • 1 picanha com mais ou menos 1, 2 kg (peças maiores que isso possuem parte de coxão duro)
  • 3 tiras de bacon
  • 3 tiras de queijo coalho
  • Salsinha a gosto
  • Sal a gosto
  • Cebola a gosto
  • 350 ml de cerveja

Modo de Fazer

Limpe a picanha, deixando com uma camada média de gordura. Com uma faca bem afiada, abra um buraco na peça, no sentido maior. Para isso, enfie a faca na picanha até chegar mais ou menos faltando um dedo para atravessar a carne. Depois vá expandindo o buraco até que fique mais ou menos 1,5 cm de cada lado.

Aperte a ponta da peça para dentro do buraco. Quando conseguir encaixar, a carne irá começar a entrar naturalmente. Com a outra mão, puxe do outro lado. O processo é fácil, mas tem que ser feito com cautela.

Coloque as rodelas de cebola, o bacon, o queijo coalho e a salsa dentro da carne.  Depois coloque 50 ml da cerveja. Feche a boca do buraco com palitos.

Tempere a carne por fora com sal e salsinha a gosto e coloque o restante da cerveja. Esse processo deve ser feito em uma travessa para poder marinar a carne. Deixe descansar por 20 minutos e vire a carne, deixando descansar o mesmo tempo também do outro lado.

Aqueça o forno na temperatura de 180ºC. Depois que o forno tiver aquecido, coloque a carne e deixe por cerca de 20 minutos. Retire do forno e sirva em seguida.

Harmonização

Uma harmonização por semelhança é quando temos sabores iguais ou parecidos, ou seja, as principais características da bebida e da receita têm algo em comum, valorizando a experiência gastronômica.

A maciez, a suculência e o sabor autêntico da Picanha Invertida com Cerveja faz uma ótima harmonização por semelhança com a igualmente autêntica Petra Aurum. A Petra Aurum é uma puro malte encorpada, com agradável aroma de lúpulo, que harmoniza perfeitamente com uma carne nobre como a picanha.

A Petra Aurum você encontra clicando aqui.


Risoto de Carne Seca com Cerveja Escura

O risoto é um prato tipicamente italiano, que tem origem na região da Lombardia, no Norte da Itália. A palavra risoto é o diminutivo de riso, que significa arroz em italiano. É justamente neste ingrediente que está o segredo do prato. Não é qualquer tipo de arroz que dá origem a um bom risoto: ele precisar ser feito com um tipo cujo grão libere amido durante o cozimento.

No Brasil é possível encontrá-lo em três tipos: o arbóreo (mais usado na Itália) garante cremosidade, ideal para receitas com verduras. O carnaroli é o preferido pelos profissionais de gastronomia. Já o Vialone Nano é menor e arredondado, cozinha por igual e é indicado para o preparo com peixes e frutos do mar.

A primeira receita

A receita original é de 1574, época da construção da Catedral de Milão (Duomo di Milano). Valerius de Fianders, mestre na fabricação de vidro, foi contratado para criar algumas janelas para a Catedral e isso fez com que muitos estudantes se interessassem pelo trabalho. Um desses estudantes gostava de misturar cores, principalmente o amarelo puríssimo. Seu segredo era colocar um pouco de açafrão quando o vidro estivesse pronto. De Fianders sabia da paixão de seu aluno por açafrão e irritava-o, dizendo que ia colocar açafrão no arroz.

Após anos de provocações, o aluno decidiu se vingar de seu mestre: a filha de Valerius iria se casar e o aluno subornou o cozinheiro para colocar no arroz um pouco de açafrão. O cozinheiro inovou e assim surgiu a primeira receita, o risotto alla milanese, que é o risoto de açafrão.

Sabor italiano

Para os italianos, o risoto ideal tem que ter uma consistência precisa: deve ser cremoso, mas jamais fluido como uma sopa. O arroz tem de ficar necessariamente al dente. O grão cozinha, mas sempre oferece resistência ao dente, e deve ser levado à mesa pastoso, mas não empapado.

O risoto é preparado lentamente em caldo de carne ou de legumes, acrescentando os mais variados ingredientes para dar um gosto único e especial. Pode ser apreciado em qualquer época do ano e, para trazer um toque bem brasileiro à receita, nada melhor do que acrescentar carne seca e cerveja escura.

Risoto de Carne Seca com Cerveja Escura

Ingredientes

500 gramas de carne seca picada e dessalgada
3 colheres (sopa) de óleo
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
2 xicaras de arroz arbóreo
1 1/2 xicara de carveja preta
Sal e pimenta a gosto
1 colher (chá) de açafrão (opcional)
1/2 colher (chá) de cominho em pó
Salsa e cebolinha picados a gosto
Queijo parmesão ralado para servir

Modo de Fazer

Esquente aproximadamente 1 1/2 litro de água, junto com o caldo de carne ou caldo de legumes e reserve. Leve ao fogo uma panela com o óleo e refogue a carne seca até dourar, adicione a cebola, o alho e deixe refogar por dois minutos.

Adicione o açafrão, cominho, uma xicara de água e deixe a carne cozinhar até que fique macia e seque a água (na panela de pressão leva 10 minutos, em panela normal demora mais).

Adicione o arroz e refogue por alguns minutos, acrescente a cerveja e misture até o liquido evaporar. Abaixe o fogo e comece a adicionar a água quente com o caldo aos poucos. Continue misturando sem parar, adicione sal e pimenta a gosto. A medida que o arroz for absorvendo o líquido, vá adicionando mais caldo aos poucos e mexendo até que o arroz fique cozido e cremoso.

Finalize com a salsa e cebolinha picados e sirva com queijo parmesão ralado.

Harmonização

Uma harmonização por contraste acontece quando temos de um lado um sabor intenso e de outro um sabor mais suave. É o tipo de harmonização em que os opostos se atraem, proporcionando uma experiência única ao paladar.

O sabor marcante do Risoto de Carne Seca com Cerveja Escura faz uma ótima harmonização por contraste com a adocicada Black Princess Tião Bock. A Tião Bock tem como característica especial a presença de rapadura em sua composição, o que traz para esta degustação a possibilidade de realçar ainda mais a receita.


Caranguejada na cerveja

Quando Hércules, um semideus da mitologia greco-romana e filho de Zeus, perdeu a razão após uma tragédia familiar, ele foi ao Oráculo de Delfos pedir ajuda. O oráculo pediu-lhe que ele se entregasse à servidão de Euristeu, o rei da cidade de Micenas. O rei então incumbiu a Hércules a realização de doze tarefas especiais, conhecidas como “Os Doze Trabalhos de Hércules”.

Na segunda tarefa, seu objetivo era matar o monstro Hidra, um animal com corpo de dragão e nove cabeças de serpente que habitava o pântano de Lerna, na região de Argos. Letal que era, a Hidra possuía um sangue e um hálito venenosos que podiam matar qualquer um que ousasse sequer chegar perto de sua presença. Para além disso, a cada cabeça cortada nascia outra no lugar, sendo que a principal delas, a cabeça central era imortal.

Numa batalha feroz e com a ajuda de seu sonho Iolau, Hércules tenta de tudo para matar Hidra, mas seus esforços pareciam ser inúteis frente às cabeças que se regeneravam durante a luta. Para complicar ainda mais a situação, a deusa Hera, que apostava contra a vida herói Hércules desde o seu nascimento, decide ajudar Hidra e envia ao local um caranguejo gigante para atrapalhá-lo.

Com muita garra e astúcia, Hércules que estava preso por um dos calcanhares pelas garras do gigantesco animal, aproveita a outra perna livre e – com a força sobrenatural que possuía – decide pisar sobre a carapaça do crustáceo que se se rompe, matando o caranguejo.

Numa investida final contra a monstra de Hidra, Hércules consegue decepar as cabeças que faltavam e, graças aos conselhos da deusa Minerva, utiliza o próprio sangue venenoso de Hidra para dar fim ao inimigo que antes era imortal.

Do grego antigo “karkínos”, que por sua vez deu origem ao diminutivo em latim “cancriculus”, as palavras “câncer” e “caranguejo” em português compartilham a mesma origem – e mito. Segundo o portal Medium: “o Mito da Hidra de Lerna é associado ao signo de Câncer não só pelo nascimento da constelação, mas também porque a Hidra representa nossas emoções indomáveis, cada vez que atacamos uma emoção e a reprimimos, outras nascem em seu lugar. Representa as distrações que acabam por nos atacar em nossas bases e nos tirar o foco de nosso objetivo. Representa a família que se põem em perigo para nos auxiliar”.

Caranguejada na Cerveja

Ingredientes

  • 3 dúzias de caranguejo limpos (sem carapaça)
  • 200 g de alho picado
  • 8 cebolas grandes cortadas em rodelas
  • 8 tomates bem maduros cortados em rodelas
  • 8 pimentões verdes e vermelhos cortados em rodelas
  • 1 maço de salsinha (cheiro verde) picado
  • 1 maço de alho poro picado
  • 1 xícara de coentro picado
  • 2 cubos de caldo de peixe
  • 500 ml de azeite
  • 1 colher de azeite de dendê
  • 10 pimentas dedo de moça
  • 1 lata de molho de tomate refogado
  • 4 latas de cerveja clara
  • Sal a gosto

Modo de Preparo

  1. Em uma panela bem grande, ferva os caranguejos com água até eles começarem a avermelhar, jogue a água fora e reserve os caranguejos. Não os cozinhe muito, o cozimento final fica por conta do molho.
  2. Monte a panela para o cozimento final, com os caranguejos pré-cozidos, acomode-os em camadas junto com os demais ingredientes: coloque uma camada de caranguejo, uma de cebola, uma de pimentão, uma de tomate, salsinha, alho poró e coentro, intercalando as camadas até encher a panela. Tape a panela e aguarde o molho.
  3. Em outra panela, reservada para o molho, refogue o alho, azeite, azeite de dendê, caldo de peixe, acrescente o molho de tomate, pimenta e 2 litros de água e sal a gosto. Deixe ferver por 20 minutos.
  4. Coloque o molho na panela com os caranguejos no fogo e acrescente o molho ainda quente.
  5. Coloque duas latas de cerveja e depois de 15 min mais 2 latas. Deixe cozinhando em fogo brando por mais 40 minutos, até ficar consistente, verificando-o de 10 em 10 minutos.
  6. Não deixe o molho engrossar muito. Aproveite para fazer um caldinho ou pirão com o resto do molho.

Águas de Märzen (Märzenbier)

Assim como a Natureza possui os seus ciclos, as cervejas também acompanham (ou pelo menos acompanhavam...) os ritmos do planeta, suas estações e possibilidades de cada época. Afinal, água, malte, lúpulo e levedura são ingredientes naturais que sofrem com as intempéries do clima – e quando nos referimos a Alemanha do século 16, sem qualquer tipo de tecnologia de previsão meteorológica ou refrigeração, uma simples frente fria ou uma onda de calor extrema poderia significar o fim da colheita, ou o fim da sua cerveja.

Enquanto as “águas de março fecham o verão” no Brasil e no Hemisfério Sul, lá no Norte o terceiro mês do ano significa o contrário: o fim de um longo inverno e abertura da temporada de calor. Logicamente, a partir desse momento, não era mais permitida (ou pelo menos recomendada) a confecção da cerveja na região da Baviera justamente pela falta de refrigeração – fermentar no calor era um negócio perigoso para a saúde.

Segundo relatos e escrituras antigas da região, as últimas cervejas confeccionadas em março (Märzenbier em alemão) eram guardadas em cavernas, onde a rocha mantinha a temperatura média do ambiente relativamente baixa, teoricamente geladinha, para serem consumidas no verão.

Após madurarem meses a fio, estas Lagers da Baviera possuíam, em geral, um aspecto âmbar alaranjado até algumas bem mais escuras, conhecidas como dunkles Märzen, de cor marrom. Ricas nos aromas dos maltes e com pouco aroma de lúpulo, as Märzenbier geralmente evocam sabores mais tostados e, dependendo da região, um dulçor a caramelo (notadamente as Märzen vienenses). Em geral, são cervejas de concentração alcoólica mais “elevada”, entre 5,8% e 6,3% ABV.  

Embora não necessariamente comportam a mesma origem, “as cervejas de março” ganharam sua fama internacionalmente no século 19 com a popularização das Vienna Lager no Oktoberfest. Por isso, muitas vezes ao buscar sobre a origem deste estilo, muitos tendem a assimilar uma Vienna Lager, uma Oktoberfest e uma Märzenbier num único grupo.

Com informação de: All About Beer, American Craft Beer e Wikipédia 


Arroz com Cerveja Escura

O que é, o que é: não é cerveja, mas está presente na mesa de todo brasileiro e brasileira; não é cerveja, mas também é nutritivo; não é cerveja, mas é uma delícia. Base alimentar de norte ao sul do país, o assunto de hoje é arroz – e claro – cerveja.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o cultivo de arroz nasceu na Ásia, entre a China, Índia e Mianmar, há doze mil anos, estendendo-se ao Japão e posteriormente à Europa por volta do século VII e VIII com a conquista árabe na Península Ibérica. Ainda de acordo com a Embrapa, o Brasil teria sido o primeiro país da América a ter plantado esse cereal no continente americano. Outros estudos afirmam que os povos indígenas já conheciam o arroz, conhecido pelos tupis como “abati-auapé”.

Oficialmente tendo chegado de navio em plena frota de Pedro Álvares Cabral em 1500, o arroz conquistou o solo brasileiro apenas trinta anos depois, em 1530, quando foi cultivado na Capitania de São Vicente. No final daquele século, já havia lavouras arrozeiras espalhadas pela Bahia e Maranhão. Hoje em dia, quem responde pela grande maioria da produção desse cereal no Brasil são os estados do sul que, segundo o portal Brazilian Rice, três quartos de toda a colheita em território nacional é feita entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Para se ter uma ideia da amizade entre o brasileiro e o arroz, e nas palavras do portal acima mencionado, o Brasil é o maior produtor e consumidor desse cereal fora da Ásia. Em reportagem deste ano para o portal Terra, estima-se que somente em 2019, mais de dez milhões de toneladas desse cereal serão produzidas aqui.

Indispensável para um bom prato nosso de cada dia, hoje vamos combinar o cereal favorito do brasileiro e da brasileira com a nossa bebida favorita, a cerveja. Na hora de você fazer o básico, é possível também fazer bonito.

Arroz com Cerveja Escura

Ingredientes

  • 2 xícaras (chá) de arroz
  • 1 cebola
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 2 latas de cerveja escura
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • Salsinha a gosto

Modo de Preparo

  1. Deixe a cerveja na temperatura ambiente. 
  2. Lave o arroz em água corrente e espere todo o excesso de água escorrer. 
  3. Corte a cebola em cubinhos e aqueça a manteiga. Junte a cebola e refogue-a até ficar transparente. 
  4. Adicione o arroz e frite até começar a pegar no fundo da panela. 
  5. Junte a cerveja, mexa e tempere com o sal e a pimenta. 
  6. Deixe ferver, abaixe o fogo e cozinhe até o arroz ficar macio. Se necessário, junte mais água quente. 
  7. Retire do fogo e sirva.

 

Com informação de Brazilian Rice, Embrapa, Portal Educação, Terra e Wikipédia

Fonte da receita: Buteco Nosso


Churros de Cerveja

Se por acaso você era criança nos idos 1990, o doce – e assunto de hoje – trazia, invariavelmente, uma associação à famigerada série de televisão mexicana, cujo protagonista anti-herói era conhecido como Chaves. Além do inalcançável sanduíche de presunto, a principal regalia que deixava muitos de nós, pequenos sonhadores, com água na boca eram os tais dos churros. Mas o que são churros, afinal? De onde eles vêm?

Segundo o portal independente The Prisma, essa aventura gastronômica teve início no século 16 quando os portugueses embarcaram em terras chinesas. Foi lá, do outro lado do mundo, que os lusitanos ouviram e provaram o “youtiao” pela primeira vez – tiras de massa frita consumidas pela classe trabalhadora chinesa no café da manhã. Ainda, de acordo com o mesmo portal, “youtiao” significava “demônio frito em óleo”, e era servido em pares, numa pequena “homenagem” a duas figuras da dinastia Song que haviam matado um general importante da época.

Da China para Portugal, de Portugal para Espanha e da Espanha para a América Latina foi um pulo – ou melhor, um navio. Aqui no Ocidente, a massa passou de uma comida popular salgada a ser uma sobremesa real. Na época, o chocolate era um produto caro e símbolo de status que, somado ao novo formato em estrela, era o prato-ostentação da época.

Atração obrigatória dos parques de diversão e feiras nacionais, embora a tradicional versão chinesa do churro salgado ainda sobreviva em algumas partes do mundo, no Brasil o chocolate acabou ganhando um novo concorrente como um dos seus recheios principais, cedendo boa parte do espaço para o delicioso doce de leite.

  Mais abaixo, juntamos o melhor dos mundos, do sonho infantil ao sonho adulto, num churro clássico de chocolate à base de cerveja. Bom proveito!

 

Churros de Cerveja e Chocolate

Ingredientes

Massa:

  • 250ml cerveja de trigo
  • 50g manteiga
  • 165g farinha de trigo (1 xícara)
  • 1 pitada de sal
  • Óleo para fritar
  • Açúcar e canela para empanar

Cobertura:

  • 200g chocolate meio amargo
  • 75g creme de leite fresco
  • 50ml leite
  • 1 colher de chá de curry
  • ½ pimenta dedo de moça

 

Modo de Preparo

  1. Coloque a cerveja em uma panela em fogo médio até que ela reduza para aproximadamente 200ml. 
  2. Adicione o sal e a manteiga até que esteja totalmente derretida.
  3. Junte a farinha toda de uma vez, desligue o fogo e mexa até homogeneizar.
  4. Coloque a massa em um saco de confeitar com ponta de “estrela” e deixe resfriar na geladeira ou congelador, enquanto prepara a cobertura.
  5. Para a cobertura, junte o leite, creme de leite, curry, pimenta e leve ao fogo até levantar fervura. Curry e pimenta a gosto.
  6. Pique o chocolate em pedaços pequenos. Despeje os líquidos através de uma peneira sobre o chocolate e mexa até homogeneizar. Mantenha aquecido.
  7. Aqueça o óleo para fritar os churros.
  8. Para cortar a massa você pode usar uma tesoura ou a ponta dos dedos.
  9. Ao retirar os churros da fritura, coloque-os em papel toalha para que absorva todo o excesso de óleo e passe na mistura de açúcar e canela.
  10. Arrume os churros em um recipiente alto, ou copo tipo pint.
  11. Sirva com a cobertura de chocolate em recipiente separado. 

 

Fonte da receita: A Perua da Cerveja (contém adaptações)

Com informação de: The Prisma


Confit de Pato ao Molho de Laranja e Cerveja

O pato vinha cantando alegremente... até que um dia caiu na panela. Azar do pato, sorte a dos humanos, hoje trazemos uma receita dos tempos da Cleópatra até a sua mesa, com um toque – é claro – do delicioso sabor da cerveja escura.

Desde que o mundo é mundo, o ser humano sempre buscou a melhor maneira de conservar seus alimentos. Não à toa, no Antigo Egito, há mais de quatro mil anos, um método bem conhecido de preservar a comida do dia de hoje para os dias vindouros era mergulhar o alimento em condimentos (como o açúcar e o mel) ou em gordura. Essa cultura de conservar os alimentos em banha animal atravessou a História, passou de geração em geração também nos impérios grego e romano, e ganhou um destaque na Idade Média, em especial sob o gosto de Henri IV, rei da França (de 1589 a 1610). Foi graças a ele que, por exemplo, o pato em banha deixou de ser um prato “popular”, campesino, e alcançou o status de comida nobre, da realeza.  

Em francês, este método de conservação é conhecido como “confit”, do verbo “confire”, e pode ser tanto usado para doces – em “confiture”, que significa geleia ou fruta embebida em açúcar – quanto para salgados, como o “confit de canard” – ou pato conservado na gordura.

Tradicionalmente, o confit de pato é uma receita associada à região do sudoeste da França, cujo clima e geografia permitem uma boa criação deste animal. No Brasil, segundo estudo divulgado em 2018 pela Associação Brasileira de Proteína Animal, a produção e exportação deste animal se concentram basicamente no sul do país, sobretudo em Santa Catarina. Somente este estado foi responsável por 99,994% de toda a exportação de carne de pato ao resto do mundo, a mais de 20 países, representando um total de quase 3,5 mil toneladas do animal e gerando uma receita de quase 9 milhões de dólares ao país em 2017.

Comparativamente, enquanto o brasileiro médio consome apenas 13 gramas de carne de pato por ano, um europeu come 1kg desta carne e um chinês chega a consumir 1,5kg da ave anualmente. Assim sendo, embora a carne de pato ainda não seja uma preferência nacional, os números também indicam que ano após ano o brasileiro está introduzindo em sua mesa esse tipo de alimento.

Se você por acaso não teve a oportunidade de experimentar um delicioso confit de pato à moda francesa, hoje lhe trazemos uma receita turbinada com a nossa bebida favorita, a cerveja, de fazer qualquer um suspirar e dizer: “ulalá!”.

Bon appétit!

 

Confit de Pato ao Molho de Laranja e Cerveja

Ingredientes

  • 4 coxas (com sobrecoxa) de pato
  • 1/3 de maço tomilho
  • 4 ramos alecrim
  • 4 dentes alho picados
  • 80 gramas sal grosso
  • 20 g pimenta-preta
  • 750 ml azeite de oliva
  • 500 ml de cerveja escura

Para o molho:

  • 200 gramas açúcar
  • 100 ml de vinagre
  • 300 ml suco de laranja
  • 250 ml de caldo de legumes ou frango
  • 100 gramas manteiga
  • 50 gramas roux (caso seja necessário para a liga)

Modo de Preparo

  1. Tempere as coxas com as ervas, o sal grosso, o alho, pimenta e cerveja, deixando na geladeira de um dia para o outro. No dia seguinte, leve o azeite ao fogo em panela alta.
  2. Quando estiver bem aquecida, a mais ou menos 80 Cº, acrescente as coxas e leve ao forno coberto com papel alumínio para que cozinhe lentamente em fogo baixo 150Cº (tomando cuidado para que não ferva) por uma hora e meia.
  3. Após uma hora e meia, tire o papel alumínio e deixe para dourar por mais 15 minutos
  4. Molho de laranja: em panela pequena, leve o açúcar ao fogo médio até caramelizar. Acrescente o vinagre. Adicione o suco de laranja e o caldo de legumes diluído em um pouco de água quente.
  5. Acrescente a manteiga e misture bem até ter uma textura aveludada
  6. Adicione o roux caso o molho estiver muito líquido
  7. Sirva com arroz ou batatas ao murro

Fonte da receita: CookPad (contém adaptações)

Com informações de: Associação Brasileira de Proteína Animal, APEX-Brasil, Lafitte e Wikipédia


É biscoito ou é bolacha?

Vamos combinar que o assunto é espinhoso e de difícil negociação. Mais polarizado que uma final Fla-Flu, que os eleitores brasileiros num dia de votação, que um jantar em família na casa da sua tia-avó: quando se trata de “biscoito” ou “bolacha”, o país racha ao meio e jura de pés juntos que cada qual está mais certo do que o outro.

De acordo com Sueli Carrasco em texto publicado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), foram os gregos que tiveram a brilhante ideia de juntar o mel, o leite e a canela à receita clássica de pão, elaborada por escravos, numa tradição que passava de pai para filho. Ainda, segundo a autora, tanto os romanos quanto os árabes contribuíram com a popularização desse alimento ao introduzirem novas técnicas de fornada e adição de especiarias que vinham do Oriente à Europa.

O “boom” do biscoito aconteceu por volta do século 17, quando a Inglaterra – na época a maior produtora de bolacha do planeta – expandiu seus mercados à América e trouxe aos Estados Unidos a iguaria inglesa à mesa. Na época, o produto recebia o nome francês “biscuit”, que por sua vez vinha do latim (“bis coctus”) que significa literalmente “cozido duas vezes” – o que garantia que o alimento não estragasse tão facilmente. Já a palavra bolacha, também de origem latina, surge com a junção de “bulla” (objeto esférico) e o sufixo “acha” (pequeno), ou seja, “objeto esférico pequeno”.

   Conforme os últimos dados publicados pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), o Brasil produziu nada mais nada menos do que 1 milhão e 157 mil toneladas de biscoito no ano passado, sendo o quarto maior produtor do planeta, atrás apenas da China, Estados Unidos e Índia.

Embora o registro e o uso popular da palavra “biscoito” seja mais antigo que o da palavra “bolacha” em território brasileiro, ambos os termos são considerados sinônimos a nível legislativo. Segundo matéria publicada no portal Superinteressante, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária que regula o produto considera ambas as palavras sinônimas.

Numa divertida e informal enquete realizada com mais de oito mil pessoas pelo portal acima mencionado, concluiu-se que enquanto os habitantes dos estados do Sul, Centro-Oeste, Amazonas, Rondônia, Roraima, São Paulo e Tocantins preferem se deliciar com um biscoito, os demais estados do Norte, Nordeste e Sudeste tendem a comer bolacha no seu dia a dia.

Qual dos dois está correto? Você decide. Uma coisa é certa: depois de fazer a receita super fácil abaixo, o assunto da mesa vai ser unânime, a sua sobremesa estará uma delícia.

 

Biscoito / Bolacha de Cerveja

Ingredientes

  • 250 g de margarina ou manteiga
  • 500 g de farinha de trigo
  • ½ copo de cerveja clara

Modo de Preparo

  1. Amassar tudo e fazer rosquinhas.
  2. Passar no açúcar cristal e colocar para assar em forma untada com óleo.

 

Com informações de: Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados; Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Superinteressante

Fonte da receita: Tudo Gostoso