Os estilos da Ale

Com alta fermentação, as cervejas da família Ale possuem maior corpo, com gostos e aromas variados. Agora vamos apresentar alguns exemplos de estilos da família Ale.

- Weizenbier ou Weissbier: cervejas de trigo típicas da Bavária, a região mais ao sul da Alemanha. A maioria não são filtradas, mas também existem as versões filtradas e ainda a versão bock (Weizenbock) desse estilo.

- Stout: estilo de cerveja típico do Reino Unido e da Irlanda. Apresenta aromas e sabores de torrefação, e dependendo da variante do estilo (Dry Stout, Foreign Extra Stout, Oatmeal Stout, American Stout, Russian Imperial Stout) pode ter baixo ou alto corpo.

- Dubbel: estilo típico belga, de coloração marrom, desperta aromas frutados, médio corpo e sabor equilibrado.


Os estilos de Lager

Conhecidas por sua baixa fermentação, as cervejas da família Lager são, em sua maioria, mais suaves e democráticas. Porém, dentro dessa família há uma grande variedade de cores, aromas, potência de corpo e complexidade.

Os principais estilos da família Large são:

- Pilsen: é considerada o carro-chefe da família Lager. Foi criada em 1842 na cidade tcheca de Pilsen. Antes dela, nenhuma cerveja era tão transparente, clara e leve. É considerado o estilo de cerveja mais popular do mundo.

- Bock: tipicamente alemã, é facilmente reconhecida graças a sua cor avermelhada. Bastante maltada, possui alto teor alcoólico.

- Schwarzbier: são cervejas escuras feitas a partir de maltes torrados. Com aromas de torrefação que lembram chocolate, café e cacau, tem baixo para médio corpo e paladar seco ao final.


Lager x Ale

Já vimos as diferenças entre as cervejas da família Ale e da família Larger.

Colocando as duas famílias lado a lado, a diferença das Ale e das Lager estão nos subprodutos gerados da fabricação. Quando falamos de fermentação, na família Lager o levedo fica concentrado no fundo do tanque e precisa de temperaturas mais baixas, agindo mais lentamente do que o levedo das Ale.

As cervejas da família Lager são mais leves e suaves e as cervejas da família Ale, são mais complexas, com aromas, sabores e cores variáveis. Entre as cervejas da família Ale que têm mais popularidade estão a Indian Pale Ale (IPA) e a American Pale Ale. São exemplos ainda a Weizen (trigo), Amber Ale, Stout, ESB (English Strong Bitter), Porter, e outras.

Já entre as Lager temos a Pilsen, a mais consumida no mundo. Bock, Helles, Dunkel, Lager, Premium, Vienna e Rauchbier também fazem parte desta família.


A Família Ale

Você já sabe a diferença entre a cerveja Lager e a cerveja Ale? Como já vimos, a Lager é a cerveja de baixa fermentação, enquanto a família Ale é composta pelas cervejas de alta fermentação, entre 15ºC e 24°C, o que faz com que elas tenham maior complexidade de aromas e sabores.

Geralmente as cervejas Ale possuem também maior corpo e paladar frutado. Os seus sabores e aromas são os mais variados. Vale lembrar que as cervejas nasceram no século 19 com alta fermentação, ou seja, naquela época praticamente todas eram da família Ale.

O processo de fermentação desse tipo de cerveja leva cerca de sete dias e faz com que a bebida seja bastante aromática, com notas florais e frutadas.


A Família Lager

Você sabe a diferença entre a cerveja Lager e a cerveja Ale? Se você ainda não sabe, vai descobrir agora que uma das principais características das cervejas é que podemos conhecê-las por suas famílias e estilos. Existem duas grandes famílias da bebida: a família Lager e a família Ale, que se diferem pelo tipo de levedura que utilizam e também por sua atuação durante o processo.

Para cada família podemos encontrar vários estilos.  Vamos começar falando da família Lager. É nela que encontramos as cervejas de baixa fermentação, que são feitas com um levedo que age sob temperaturas menores e na parte inferior do tanque de fermentação.

Em geral, as cervejas Lager têm sabores e cheiros que lembram malte como cereais, e lúpulo, como os aromas florais. Elas possuem menos subprodutos da fermentação, oferecendo maior drinkability. A maior parte dos estilos alemães e tchecos se encaixa nessa família.

Conheça aqui algumas cervejas da família Lager.


Águas de Märzen (Märzenbier)

Assim como a Natureza possui os seus ciclos, as cervejas também acompanham (ou pelo menos acompanhavam...) os ritmos do planeta, suas estações e possibilidades de cada época. Afinal, água, malte, lúpulo e levedura são ingredientes naturais que sofrem com as intempéries do clima – e quando nos referimos a Alemanha do século 16, sem qualquer tipo de tecnologia de previsão meteorológica ou refrigeração, uma simples frente fria ou uma onda de calor extrema poderia significar o fim da colheita, ou o fim da sua cerveja.

Enquanto as “águas de março fecham o verão” no Brasil e no Hemisfério Sul, lá no Norte o terceiro mês do ano significa o contrário: o fim de um longo inverno e abertura da temporada de calor. Logicamente, a partir desse momento, não era mais permitida (ou pelo menos recomendada) a confecção da cerveja na região da Baviera justamente pela falta de refrigeração – fermentar no calor era um negócio perigoso para a saúde.

Segundo relatos e escrituras antigas da região, as últimas cervejas confeccionadas em março (Märzenbier em alemão) eram guardadas em cavernas, onde a rocha mantinha a temperatura média do ambiente relativamente baixa, teoricamente geladinha, para serem consumidas no verão.

Após madurarem meses a fio, estas Lagers da Baviera possuíam, em geral, um aspecto âmbar alaranjado até algumas bem mais escuras, conhecidas como dunkles Märzen, de cor marrom. Ricas nos aromas dos maltes e com pouco aroma de lúpulo, as Märzenbier geralmente evocam sabores mais tostados e, dependendo da região, um dulçor a caramelo (notadamente as Märzen vienenses). Em geral, são cervejas de concentração alcoólica mais “elevada”, entre 5,8% e 6,3% ABV.  

Embora não necessariamente comportam a mesma origem, “as cervejas de março” ganharam sua fama internacionalmente no século 19 com a popularização das Vienna Lager no Oktoberfest. Por isso, muitas vezes ao buscar sobre a origem deste estilo, muitos tendem a assimilar uma Vienna Lager, uma Oktoberfest e uma Märzenbier num único grupo.

Com informação de: All About Beer, American Craft Beer e Wikipédia 


Kriek

“Cerveja frutada”. Você provavelmente já deve ter ouvido alguém falar nesse conceito muito antes de começar a beber. Hoje, vamos falar sobre um dos estilos de cerveja da família Lambic que, não à toa, leva literalmente um fruto em sua produção. Conheça as cervejas do estilo Kriek.

Este estilo curioso que confeccionar cerveja requer cuidado e paciência, e quando dizemos paciência, a arte de deixar a Natureza fazer o seu trabalho é fundamental aqui. Isto porque uma cerveja da família Lambic (na qual se encontram as cervejas Kriek) requer, em média, seis meses de preparação até que esteja pronta para ser consumida - algumas levam até anos. Ao contrário das Ales e Lagers, as Lambic tradicionalmente não passam por um processo de fermentação forçado de controle de temperatura. Esta fermentação, diferentemente das duas primeiras famílias anteriormente mencionadas, é de modo espontânea: utiliza-se cerca de 30% de trigo não-maltado e lúpulos envelhecidos que, depois de fervidos, são deixados “à sorte” em tonéis de madeira. O contato do mosto com os microorganismos do tonel fará o seu papel na produção natural de álcool.

No caso das Kriek, além da fermentação natural própria desta família, adiciona-se ao mosto até 30% de ginja: uma espécie de cereja ácida, também conhecida como amarena. Aliás, “kriek” é o próprio nome desta fruta em flamengo, língua utilizada no noroeste da Bélgica. Tradicionalmente, utiliza-se apenas o açúcar da própria fruta na fermentação. Hoje em dia, é muito difícil encontrar uma cervejaria que siga à risca esta regra. 

Num processo trifásico, composto de três tipos de fermentação natural, obtém-se uma bebida com teor alcoólico relativamente mais elevado, entre 5% e 7% ABV. Ou seja: depois de a própria cerveja fermentar, depois de ela fermentar com a fruta e, por fim, depois de fermentar na garrafa, espera-se uma deliciosa bebida ácida e refrescante, seca e de baixa carbonatação.

Para harmonizar com este estilo de cerveja, recomenda-se uma boa porção de queijos da categoria mofo branco: brie e camembert, além de uma boa geleia. Não à toa, muitos afirmam que a sobremesa ideal para acompanhar uma Kriek é um belo de um cheesecake.

Com informação de: Brew Beer, Homini Lúpulo, Mestre Cervejeiro, Wikipédia


Witbier – A Prima Belga

Apesar do país inteiro ser apenas um pouco maior do que o estado de Alagoas, a Bélgica ainda é referência mundial quando o assunto é cerveja. Produtores e consumidores vorazes de algumas das melhores bebidas do ramo, hoje comentaremos um pouco mais sobre a Witbier – a cerveja de trigo prima da alemã.

Da junção das palavras ‘wit’ e ‘bier’, que em neerlandês quer dizer branco e cerveja, ou, “cerveja clara”, seu nome já indica sua primeira característica específica. Geralmente classificadas entre 2 e 4 SRM (numa escala internacional que varia entre 2 a mais de 40), as Witbier também possuem outra qualidade peculiar que chama a atenção do consumidor logo de entrada: notas de especiarias e frutas. Isso se deve ao período em que esta cerveja era popular, há cerca de 400 anos, quando as especiarias eram não só uma fonte de renda e pagamento, como um motivo para longas expedições dos navegantes europeus pelo mundo.

A Witbier, assim como a Weissbier alemã, é uma cerveja de trigo. Composta basicamente de 50% de trigo não-maltado e 50% de malte pilsen, entre alguns elementos que a diferenciam da prima alemã é justamente a utilização de temperos como o coentro. Por ser uma cerveja de trigo de alta carbonatação, o sabor do lúpulo não é algo que se destaca por aqui. Seu amargor dá lugar a uma refrescância frutada, mais cítrica em relação à Weissbier alemã. Igualmente sua espuma, embora menos presente que numa Weissbier alemã, é notadamente mais densa e consistente na bebida belga.

Apesar de sua popularidade atual, com um alto consumo deste tipo de cerveja durante o verão norte-americano e europeu, a Witbier passou por um longo período de esquecimento, tornando-se praticamente extinta até a década de 50 do século passado. Foi graças a Pierre Celis, um cervejeiro belga nascido na cidade de Hoegaarden, que este estilo renasceu como uma fênix em meio à popularidade das Lagers, que então dominavam o mercado de bebidas no mundo todo.

Num país tropical como o Brasil, esta cerveja de teor alcóolico baixo e de sabor refrescante pode ser justamente o que você estava buscando para se refrescar nas suas tardes quentes de domingo.

Com informações de: Birrapedia, Homini Lúpulo e Wikipédia


Malt Liquor: controversa e adorada

Como um bom grupo de exigentes consumidores, o público cervejeiro é bem específico quanto aos seus gostos. Existem aqueles que preferem uma cerveja mais leve e refrescante, outros não abrem mão de sua cerveja de trigo encorpada. Entre uma e outra, existe aquela famigerada cerveja controversa, praticamente uma anti-IPA, rechaçada pela comunidade cervejeira. Hoje, falaremos um pouco sobre a Malt Liquor.

Mais consumida e produzida pelos norte-americanos, a Malt Liquor é uma senhora lager, carregada principalmente de cereais não maltados e com pouca incidência de lúpulo. O resultado é uma bebida potente, com alto teor alcóolico e sabor considerado “aguado” para os paladares mais aguçados.

Embora não seja muito popular em solo brasileiro, lá nos Estados Unidos existe toda uma cultura da forty-once, ou quarenta onças, como é conhecida a garrafa de Malt Liquor por lá. O termo está associado diretamente à festas e noites de bebedeira, principalmente pelo seu tamanho (equivalente a uma garrafa de dois litros) e, em geral, baixo custo.

Mas engana-se quem pensa que uma Malt Liquor é uma invenção da indústria moderna. Segundo a publicação People’s Journal, a primeira referência que se tem escrita sobre a bebida data o século XVII, em 1690. Parece, portanto, que a diversão norte-americana foi importada diretamente da ex-côlônia...

Atualmente, existem versões com mais ou menos açúcares adicionados à fermentação, o que confere uma bebida entre 6% e 9% de ABV em média, podendo chegar a um teor alcóolico de 12% - equivalente a um vinho comum. De cor amarela clara, variando entre 10 e 25 IBU, recomenda-se um copo clássico de pint para consumi-la – ainda que os nossos vizinhos norte-americanos prefiram utilizar o clássico copo colorido de papel.

Seja você um apreciador de uma Malt Liquor ou não, uma coisa é fato: como diria Oscar Wilde, “A única coisa pior do que falarem de você é não falarem de você".


Linguagem Cervejeira

Gostar de cerveja todo mundo gosta, mas dentre as milhares de variedades no mundo desta bebida, sempre tem aquela que cativa mais o nosso coraçãozinho, que o faz bater mais forte quando provamos a nossa cerveja favorita novamente. Por isso, não é apenas uma questão de gostar de cerveja, é necessário também saber falar a linguagem da bebida, decifrar os seus códigos e segredos e aprimorar, cada vez mais, a nossa paixão pelo assunto.

Dentre as principais medidas classificatórias utilizadas hoje em dia, o mundialmente famoso programa norte-americano de formação e certificação de juízes cervejeiros, ou Beer Judge Certification Program (BJCP), em inglês, conta com mais de 7.500 profissionais do assunto e possui um incrível histórico de quase 1 milhão e 500 mil cervejas desde a sua fundação, em 1985.

Por motivos de orientação e organização, o BJCP passou a examinar as cervejas dentro de cinco estatísticas vitais (Vital Statics) a fim de agrupá-las em subgrupos posteriores. Estas cinco estatísticas vitais são:

  1. ABV – Alcohol by Volume – ou Álcool por Volume – se refere ao percentual total de álcool na bebida. Considera-se uma cerveja de baixo teor alcoólico entre 0,5% e 2,0%; de médio teor alcoólico entre 2,0% e 4,5% e alto teor alcoólico a partir de 4,5%.
  2. OG – Original Gravity – Gravidade Original ou Densidade Original do Mosto – se refere à quantidade de substâncias fermentáveis e não fermentáveis, também conhecida como “massa seca”, presente no mosto da bebida, antes de ela ir à fermentação. Em países como a Alemanha e a Suíça, a base de cálculo do imposto da bebida varia de acordo com a densidade original do mosto.
  3. FG – Final Gravity – Gravidade Final – se refere à quantidade de substâncias não fermentáveis presentes após a fermentação da bebida.
  4. IBU – International Bitter Units – Unidade Internacional de Amargor – classifica a quantidade de iso-alfa-ácido por litro de bebida, conferindo-a um grau menos ou mais amargo. Ela pode variar de 0 a 120, sendo 0 nada amargo e 120 extremamente amargo.
  5. SRM – Standard Reference Method – Método de Referência Padrão – diz respeito à cor da cerveja, podendo variar de 0-2 (cervejas ultraclaras e amareladas) a 40 graus ou mais com as Black IPAs.

Na próxima vez que você tomar uma cerveja que agrade o seu paladar, faça a lição de casa e tome nota destes cinco principais fatores vitais. Quem sabe assim você não começa a desenvolver a sua própria biblioteca de bebidas favoritas e encontrar, em qualquer canto do planeta, uma cerveja para chamar de sua?