A cerveja e o verão

Com o verão brasileiro bombando, vem aquela vontade de beber uma cerveja bem gelada. Mas, para degustar sabores e aromas mais complexos, a temperatura da cerveja pode ser um fator decisivo. Neste caso, não necessariamente ela deve seguir a linha ‘estupidamente gelada’.

A temperatura da cerveja varia de acordo com o clima e o tipo de bebida escolhida. No entanto, para sentir o sabor, o ideal é não usar temperaturas menores do que 0°C. Isso porque, se a bebida for degustada abaixo dessa temperatura, suas papilas gustativas vão se fechar e perder a sensibilidade, fazendo com que o gosto da cerveja seja comprometido.

Agora você já sabe que também não se deve congelar a cerveja, porque o congelamento tira algumas propriedades da bebida. Também não devemos gelar e degelar a cerveja, porque isso altera suas características.

Na Alemanha é comum beber a cerveja servida à temperatura ambiente, até porque o clima lá é frio em boa parte do ano. Por isso é sempre bom estar atento ao clima externo, porque ele influencia na escolha da temperatura para a bebida.


A cerveja natalina

Natal é tempo de comidas típicas. Mas, no mundo cervejeiro, a data também tem suas particularidades. E ela se chama Christmas Ale, uma cerveja preparada exclusivamente para o dia 25 de dezembro e que pode ser encontrada especialmente no continente europeu.

A Christmas Ale não é um estilo, mas uma categoria dentro da família Ale. Ela surgiu na Europa como uma bebida para celebrar o fim do ano. Com inúmeras variações de cor e sabor, tem alto teor alcoólico, boa presença de malte, tons adocicados e uso de especiarias como pimenta e semente de coentro. Os lúpulos utilizados são os ingleses herbáceos e os americanos de aroma próximo ao pinho.

Esta é uma cerveja Ale sazonal, produzida somente nesta época específica do ano.


São Paulo recebe o Slow Brew em dezembro

No dia 7 de dezembro acontece em São Paulo o Slow Brew, festival de cervejas artesanais nacionais e convidadas internacionais. O termo Slow Brew vem do conceito Slow Movement, Slow Life, Slow Food que se difundiu na Europa desde a década de 1980. São movimentos para se viver calmamente, valorizando a experiência e todos os momentos, buscando uma vida mais saudável e sem pressa.

Slow significa devagar e Brew quer dizer fazer cerveja. Este conceito valoriza o ato de produzir a bebida, respeitar seu tempo e utilizar produtos de qualidade. Por isso, o termo Slow Brew significa “cerveja de qualidade“.

Se você aprecia cervejas artesanais, o Slow Brew é o seu lugar! Lá você vai poder degustar alguns dos rótulos que temos em nossa loja online, como Black Princess e Petra. E, depois, é só dar uma passadinha aqui para garantir as suas cervejas.

Slow Brew Brasil

Quando: 7 de Dezembro, das 12h às 20h.
Onde: Pro Magno Centro de Eventos – Avenida Profa. Ida Kolb, 513 – Jardim das Laranjeiras, São Paulo - SP
Site: https://www.slowbrewbrasil.com.br/festival2019/


Mulheres e o Mercado Cervejeiro

Um dia após o outro, o mundo gira e traz consigo as mudanças de um tempo que está por vir. No caso delas, esse tempo é o dia de hoje: cada vez mais, mais mulheres ocupam o lugar de destaque tanto no consumo quanto na produção de cerveja – lugares este “tradicionalmente” ocupados por homens.

Embora a História demonstre que a presença de mulheres sempre foi um elemento importantíssimo, senão primordial, para a confecção da bebida, elas acabaram perdendo este lugar de destaque em meados do século 18 e 19 no Ocidente, quando o trabalho fora de casa passou a ser associado a uma tarefa quase que exclusivamente masculina.

Retrato de um mercado em constante expansão e escala progressiva a partir dos anos 2000, as cervejarias artesanais – outrora símbolo de um antro viril e dominantemente masculino – estão finalmente aprendendo que o lugar da mulher é onde ela quiser. Seja em trabalhos manuais na confecção da cerveja, como a brassagem, ou em postos empresariais de marketing e distribuição, mulheres empreendedoras observaram que o mercado feminino é um mercado com alto potencial e ainda muito pouco explorado.

Segundo a sommelière e mestre cervejeira Kathia Zanatta, em entrevista para o portal G1, uma coisa puxa a outra e é justamente o acesso cada vez maior da mulher a estes postos “tradicionalmente” masculinos que irá atrair mais mulheres ao mundo cervejeiro: “o ambiente produtivo ainda inibe, ou por falta de conhecimento, ou pela falta de background de formação técnica. Mas não existe profissão só de homem ou só de mulher”, diz ela.

Como toda mudança, elas ainda enfrentam resistências ao longo do caminho, que variam de comentários machistas no ambiente de trabalho à crença de que “cerveja não é bebida de mulher”. De acordo com Bárbara Fonseca, das cervejarias Catimba e Trilha em entrevista para a publicação Hypeness, tal situação se mostrou evidente ao entrar no mundo cervejeiro: “quando comecei a fazer cerveja era testada a cada minuto. Sempre tinha um homem me fazendo perguntas óbvias para tentar provar que eu não sabia o que estava fazendo”.

Embora haja percalços no caminho, elas ainda assim vêm com esperança e otimismo o caminho que trilham. Entre confrarias femininas e grupos destinados à ajuda entre pequenas produtoras, a aposta é de um futuro mais saudável, no qual a objetificação e exclusão profissional femininas não façam mais parte do menu cervejeiro brasileiro do século 21.


O milagre da cerveja que renasceu das cinzas

Segundo a mitologia grega, a fênix é uma ave como nenhuma outra: com suas asas douradas e de penas brilhantes, este pássaro que possui mais ou menos o tamanho de uma águia consegue suportar cargas enormes em suas presas, podendo carregar dezenas de homens ou até mesmo elefantes pelos ares. Símbolo da imortalidade, diz-se que a fênix vive em ciclos de aproximadamente 97 mil anos e que, ao final de sua vida, entra em combustão e renasce das cinzas. Igualmente, atribui-se às cinzas da fênix um poder único e especial de reviver os mortos. Não à toa, o assunto da coluna de hoje é sobre uma cerveja especial, uma receita renascida das cinzas e cujo logotipo faz uma homenagem ao pássaro imortal fênix.

A nossa história começa em 1.128, ano em que foi construída a abadia de Grimbergen, ao norte de Bruxelas, capital da Bélgica. Lar dos monges da região, o local possuía também plantações de subsistência e uma cervejaria em funcionamento. Fonte de renda para os monges, a abadia acabou sofrendo um assalto dos revolucionários franceses em 1.795, o que ocasionou na destruição de grande parte do monastério além da suposta destruição da receita original da cerveja ali confeccionada. Isto é: suposta destruição.

Digno de um filme de aventura, aparentemente os livros que continham a receita original foram salvos a tempo pelos monges e trancafiados num esconderijo secreto, dentro de um buraco na biblioteca. Prontos para reviver a tradição, os monges hoje em dia resolveram se empenhar na tradução dos manuscritos em latim e holandês arcaico para reproduzir as receitas do século 18 que haviam desaparecido. 

Segundo o padre Karel Stateumas em depoimento para o jornal inglês The Guardian: “Nós possuíamos muitos livros com receitas antigas, mas ninguém conseguia lê-los. Eles estavam todos escritos em latim ou holandês arcaico e por isso trouxemos voluntários [para traduzi-los]. Passamos horas folheando os livros antigos e acabamos descobrindo listas de ingredientes dos séculos anteriores, o lúpulo que era usado, os tipos de barris e garrafas, e até mesmo uma lista com as cervejas produzidas séculos atrás”.

De acordo com a descrição oficial da cerveja publicada no portal de notícias CNN Internacional: “para começar, trata-se de uma cerveja envelhecida em tonéis de carvalho francês, utilizados para envelhecer burbons e uísques, no qual é adicionada a levedura para dar um toque de fermentação. Durante este período, diminuem os sabores fenólicos frutados e picantes e também do coentro, permitindo com que os sabores maltados, doces e de baunilha do tonel de uísque entre em contato com a bebida”.

Após 224 anos de confinamento, e assim como a fênix que renasce das cinzas ainda mais forte, esta nova-antiga cerveja sagrada sairá dos armários empoeirados e ganhará as ruas já no ano que vem, em 2020, com expectativa de produção de 1 milhão de litros anuais, voltados principalmente para os mercados belga e francês.

Com informação de: CNN, The Guardian, Veja e Wikipédia


Cerveja: uma amiga para toda a vida

Você mulher, entre 18 e 99 anos, já pode dar adeus às desculpas esfarrapadas que vinha dando aos outros – e principalmente a si mesma – na hora de tomar uma cerveja gelada. Segundo a publicação “Benefícios do consumo moderado de cerveja nas diferentes etapas da vida da mulher”, divulgada em junho de 2015 por médicos da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma de Madri e do Hospital Universitário Puerta de Hierro, na Espanha, a bebida pode trazer inúmeros benefícios à saúde da mulher, durante todas as etapas de sua vida adulta.

O texto oferece referências de outros estudos médicos e esmiúça o efeito de um consumo moderado de cerveja durante cinco etapas na vida de uma mulher, são elas: “gravidez e gestação”, “gestação e lactância”, “menopausa e envelhecimento”, “osteoporose” e “enfermidades neurodegenerativas”. Para cada etapa, observa-se uma correlação positiva no consumo moderado e a diminuição de efeitos indesejáveis, decorrentes de processos naturais do corpo.

A premissa de que a cerveja é uma bebida natural com baixa graduação alcoólica, sem gorduras e com uma quantidade importante de hidratos de carbono, vitaminas e proteínas, ajuda a entender – através de uma linguagem coloquial – sua relação, por exemplo, com a prevenção de patologias associadas à baixa de estrógenos durante a menopausa, ou como a osteoporose pode ser combatida com a maior ingestão de silício, presente na bebida, além do cálcio e da vitamina D, fundamentais para a formação de ossos mais fortes e saudáveis.

O estudo traz um resumo daquilo que se tem observado durante os últimos anos em relação à cerveja, relembrando sempre que se trata de um consumo moderado, consciente. Por isso, se alguém vier perguntar alguma coisa, com o dedo em riste e apontando para o seu copo, você já sabe a quem recorrer: esta cerveja aqui? Palavra de médico.

Com informações de: Aulamedica.es


Sede de exercício

Pergunta: quem veio primeiro – a sede de cerveja após o exercício ou a sede de exercício após algumas cervejas? Resposta: não se sabe exatamente quem veio primeiro, mas uma coisa é certa, quanto mais cerveja mais exercício. Nas palavras de Michael French, Ph.D. em Economia pela Boston College e professor de Economia da Saúde na Universidade de Miami (EUA), “usuários de álcool não apenas se exercitam mais que os abstêmios, como também se exercitam mais conforme bebem mais”.

Ele e sua equipe analisaram os dados de mais de 230.000 americanos, coletados pelo telefone durante o período de um ano. Descobriu-se que, entre as mulheres, aquelas que bebiam realizaram, em média, 7.2 minutos a mais de exercícios semanais em relação àquelas que não bebiam. Com relação à quantidade de bebida ingerida, outra surpresa: bebedores leves, moderados e intensos se exercitaram, respectivamente, 5.7, 10.1 e 19.9 minutos a mais por semana. Resultados similares foram observados para o sexo masculino. 

Segundo o próprio fundador do estudo, Micheal French: “existe uma forte associação em todos os níveis de consumo alcoólico e atividade física, seja ela moderada ou vigorosa. Entretanto, estes resultados não sugerem que as pessoas devam utilizar o álcool para aumentar seus programas de treinamento, uma vez que este estudo não foi feito para determinar se o consumo de álcool aumenta a quantidade de exercícios realizados”.

Beber com responsabilidade e praticar atividades físicas regularmente é o segredo para se viver mais e melhor. Em outras palavras, ser saudável é também ser – pelo menos um pouco – feliz.

Com informação de: Science Daily e Universidade de Miami.


Como a cerveja ajudou a criar um país

Reinos distantes, muita guerra, traição e a ambição de conquistar o poder acima de tudo: esta história poderia até ser uma temporada da série Game of Thrones, com uma única diferença que, ao invés de dragões, os mestres da República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos utilizaram cerveja para conquistar a sua independência.

 O ano era 1568, naquela época os territórios da atual Holanda, Bélgica e Luxemburgo pertenciam ao Império Espanhol e eram comandados pelo Rei Felipe II, oriundo da mais alta casta familiar europeia, a Casa de Habsburgo. Entre outras diferenças importantes, o rei espanhol era católico enquanto os habitantes dos Países Baixos eram protestantes. Para além disso, os territórios ocupados pelos espanhóis reclamavam da alta cobrança de impostos do Sul, o que gerou naquele ano uma revolta das províncias do Norte contra o rei católico.

O que parecia ser uma causa ganha, na disputa do então maior império do planeta contra algumas poucas províncias protestantes no norte da Europa, acabou se tornando uma guerra que perduraria quase um século, conhecida como a Guerra dos 80 Anos. Entre muitas idas e vindas, alianças entre as províncias do norte que desencadearam na independência da atual Holanda e posterior formação da Bélgica, os pequenos países do Norte contaram com dois fatores muito importantes para ganhar essa batalha contra o grandioso Império Espanhol: a ajuda dos reinos da Inglaterra, Escócia e França e... a cerveja!

Segundo os pesquisadores da Universidade de Leuven (Bélgica), em seu estudo “Como a cerveja ajudou a criar a Bélgica (e a Holanda): a contribuição dos impostos em cerveja para o financiamento bélico durante a Revolta Holandesa”, a Espanha havia subestimado a capacidade de resiliência dos povos protestantes, especialmente enquanto o próprio reino espanhol tinha dificuldades em pagar suas tropas em combate. Vamos por partes.

De acordo com a publicação acima, o reino da Espanha arrecadava uma quinta parte (20%) de toda a extração de prata da América, o que lhe conferia, a priori, fundos muitos superiores a dos Países Baixos. No entanto, a região onde hoje se encontra a Bélgica e a Holanda taxavam em 19% toda a produção  e consumo de cerveja local. Para se ter uma ideia, esta tática de mestre equivaleu a quase um terço de tudo o que a Espanha arrecadou em prata no mesmo período durante a Guerra dos 80 Anos. Enquanto uns ganhavam com a prata, outros ganhavam com a cerveja.

Na época, tomar cerveja não era apenas um luxo, era também questão de saúde pública. Por conta da fermentação e do lúpulo que ajudam a matar os microrganismos presentes na água, e sem um sistema de saneamento básico como temos hoje em dia, a vida na Europa no século 16 girava bastante ao redor do álcool caso você não quisesse adoecer. Desta maneira engenhosa, o governo holandês conseguiu arrecadar fundos suficientes, manter-se na disputa e dar a volta por cima do Império Espanhol em 1648, com a assinatura do Tratado de Münster.

 Com o tratado de paz, a Holanda se tornou um país independente da Espanha e os territórios do sul, tal qual foram divididos na assinatura do acordo, posteriormente se tornaram a Bélgica e Luxemburgo. Embora não diretamente, a cerveja acabou criando duas nações no planeta que, não à toa, hoje se orgulham de suas produções locais, sendo referência deste tipo de bebida no mundo todo.

Com informação de: “How beer created Belgium (and the Netherlands): the contribution of beer taxes to war finance during the Dutch Revolt” (Artigo publicado por Koen Deconinck, Eline Poelmans & Johan Swinnen no portal Taylor & Francis Online); The Conversation e Wikipédia


A Cervejaria Mais Antiga do Mundo - Parte 2

No mês passado, nós comentamos sobre a cervejaria mais antiga do mundo em atividade, com impressionantes 1.200 anos de funcionamento no sul da Alemanha, no antigo mosteiro de Weihenstephan. Hoje, trazemos a cervejaria mais antiga do planeta que se tem conhecimento, cuja idade, além de arrepiar, traz profundas descobertas sobre a dieta do Homem e sua relação com a agricultura.
Uma equipe de arqueólogos da prestigiada universidade norte-americana de Stanford, liderada pela pesquisadora chinesa Li Liu, encontrou em setembro do ano passado o “registro mais antigo de confecção de bebida alcóolica” que se tem conhecimento numa caverna em Israel – a produção, segundo a equipe, data os mirabolantes 13 mil anos de idade.
A caverna de Rakefet, lar dos antigos povos natufianos, onde hoje se localiza a região de Haifa, reabre a discussão que sempre permeou o meio acadêmico sobre o consumo de bebidas alcóolicas: aparentemente a cerveja não é um resultado da sobra da produção agrícola, mas um item tão antigo quanto o próprio pão. Nas palavras da pesquisadora: “esta descoberta indica que a produção etílica não era necessariamente o resultado de um excedente agrícola, mas era feito para propósitos ritualísticos e de necessidades espirituais, o que, de certo modo, é anterior à agricultura”.
Curiosamente, o grupo de arqueólogos não estava em busca de tal novidade, foi por acaso que encontraram essa fascinante descoberta. O objetivo inicial da pesquisa era compreender a dieta dos povos epipaleolíticos, daqueles homens e mulheres que viveram logo após o fim da Era do Gelo. Ao longo das análises das rochas, foram encontrados traços de produção alcóolica a partir de cereais como o trigo e a cevada.
Com as evidências encontradas no local, os pesquisadores puderam reconstituir o que seria a cerveja daquela época, o que também indica, além do aspecto, uma bebida com outros tipos ingredientes e de teor menos alcoólico. Diferentemente da cerveja que estamos acostumados a beber hoje em dia, com um líquido fino e filtrado, o processo trifásico e sem filtragem desta protocerveja resultava numa espécie de mingau alcóolico.
Segundo Jianjing Wang, doutoranda do Departamento de Línguas e Culturas Orientais da Universidade de Stanford e coautora do estudo, o fato desses achados terem sido descobertos no cemitério local indica não só a importância que a cerveja tinha para o antigo povo natufiano em seu dia a dia, como indica o elo entre que estes caçadores possuíam com seus ancestrais. Nas palavras da autora: “a confecção de cerveja era parte integral dos rituais e das festividades – mecanismos sociais regulatórios em sociedades hierárquicas”.
Uma conexão divina, um mecanismo de calibragem social e um motivo para festa: que a cerveja continue viva por mais 13 mil anos.

Com informação de: BBC, Science Direct e Stanford News


A Cervejaria Mais Antiga do Mundo

Em nossa viagem etílica pelo globo, nós já demos algumas voltas nos bares mais antigos do mundo, incluindo um com mais de 1.200 anos de funcionamento em Salzburg, na Áustria. Não muito longe dali, no sul da Alemanha, por acaso reside a cervejaria em funcionamento mais antiga do planeta: conheça a magnífica história da Bayerische Staatsbrauerei Weihenstephan – ou apenas Weihenstephan, para os locais.

Como indicado no portal oficial da cervejaria, muito antes de sequer existir a Alemanha, o Sacro Império Romano-Germânico e o imperador Carlos Magno, nascia no ano de 725 o monastério beneditino de Weihenstephan sobre a colina Nährberg na cidade de Frisinga. Por ordem do milagroso São Corbiniano e seus doze discípulos, os monges passaram a cultivar lúpulo na vizinhança e lucravam com este cultivo ao produzir cerveja.

Duzentos anos mais tarde, em 955, o monastério passou por uma terrível crise ao ser saqueado por invasores húngaros que destruíram as plantações e o próprio edifício original da cervejaria. O resultado foi um longo e duradouro processo de reconstrução cujo desfecho mais alegre, um século mais tarde no ano de 1.040, foi a autorização da prefeitura de Freising para cultivar o lúpulo e vender a cerveja oficialmente à toda região.

Entre 1.040 e 1803, o local sobreviveu a todos os tipos de horrores e pragas da Idade Média. Dezenas de guerras internas e externas, a peste negra, mudança de tronos e até mesmo um grande terremoto. Mas nada havia preparado o local para a grande mudança que viria em 1803 com a Mediatização Alemã. Com o fim do Sacro Império Romano-Germânico em vista, a maioria das propriedades da Igreja passaram a ser domínio estatal e, por consequência, secularizadas. Em outras palavras, o monastério foi dissolvido e transferido para outra região, mas a cervejaria manteve o seu funcionamento – até hoje. Por este motivo, o nome completo da cerveja traduzido ao português é Cervejaria Bávara Estatal Weihenstephan, hoje propriedade do estado bávaro.

Nos dias atuais, o local também funciona como uma universidade de estudos superiores para os bons amantes de cerveja. Todos os anos, são produzidos quase 40.000 da bebida mais famosa da região, com o carro-chefe da casa sendo as cervejas de trigo clara e escura. Nesta aventura milenar, uma coisa é certa: a grande vencedora foi mesmo a própria cerveja.

Com informações de: Breja Justa, Weihenstephaner e Wikipédia